Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Que Fazer ao Seu Dinheiro

Uma das coisas que vem com o facto de ser fundador e de trabalhar na revista Carteira é que a maior parte dos meus amigos e conhecidos estão sempre interessados em saber onde devem investir o seu dinheiro: qual a melhor acção, o melhor mercado, o fundo que os vai deixar rico, etc.
Quando as bolsas entram em colapso, a pergunta é inevitavelmente a mesma: que faço agora? Apesar de não ser simples encontrar as acções e fundos que nos vão deixar ricos depressa, a resposta para esta pergunta é muito simples. Se tem acções deixe-se ficar sossegado. Se não tem, compre.
Tomando a liberdade de usar e adaptar um exemplo de Warren Buffett, o mais famoso investidor do mundo, acho que é simples de perceber porquê. Imagine que comprou um carro. Depois de muito investigar descobriu um carro que o satisfaz plenamente. Tem a potência que precisa, tem espaço para as crianças e, melhor ainda, consome pouco. Tem o carro há alguns anos e não podia estar mais satisfeito com a sua compra. Agora imagine que uma das revistas da especialidade decide criar uma lista que é actualizada diariamente com a cotação do seu carro. O que essa lista lhe dá é o valor que o mercado atribui diariamente ao seu carro. Agora imagine que num determinado dia o mercado acha que o valor do seu carro caiu 15 por cento. As razões da queda não interessam, o que interessa é que de um dia para o outro o seu carro vale menos 15 por cento. O que faria? Iria vender o carro a correr? A ideia de vender um carro com o qual está satisfeito só porque o mercado acha que ele vale menos soa a algo ridículo. Pois é! Com as suas acções a lógica é a mesma. As acções reflectem empresas com negócios reais e lá porque o “mercado” acha que tudo deve cair isso não significa que deve ir atrás e vender tudo o que tem.
Voltando ao início da conversa. Geralmente evito fazer recomendações sobre o que comprar e quando comprar. Neste caso abro uma excepção. Tendo uma perspectiva de longo prazo no que toca ao investimento em acções (não conheço outra) o que fiz hoje foi muito simples. Mantive tudo o que tinha (afinal o carro está a trabalhar) e agarrei em todo o dinheiro que tinha em fundos de tesouraria e em depósitos a prazo e investi em acções. Como a queda é democrática fiz também um investimento democrático e apliquei o dinheiro em dois ETF: um que replica o investimento no Dow Jones Industrial Average (principal índice da bolsa norte-americana) e outro no Euro Stoxx 50 (as 50 maiores empresas europeias). Se não sabe o que é um ETF vá aqui, porque nem sabe o que está a perder. Se quer saber onde comprar fale connosco. Rui Borges
1 comentário:
De AReis a 23 de Janeiro de 2008 às 23:21
Caro Rui Borges, pelo seu artigo deduz-se que está razoavelmente convencido que o pequeno 'crash' que vivemos está terminado.
Eu não partilho essa sua convicção. Acho que ainda é cedo para tirar conclusões e, principalmente para entrar com dinheiro a sério nesse palpite.
No entanto, cada qual sabe de si, e o Rui saberá os motivos que o levaram a tomar essa decisão.
O que fez mais confusão, é o facto de afirmar ter retirado "todo o dinheiro que tinha em fundos de tesouraria e em depósitos a prazo" para investir em acções. Acho isso demasiado arriscado, especialmente porque poderá induzir outros, que por aqui passem, a emulá-lo e poderem comprometer as suas (deles) poupanças.
De resto, sejam bem-vindos à blogosfera

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