Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Investir na banca só depois de 2009

Mais de 1,5 milhões de contratos em incumprimento. Foto: Bloomberg NewsAs coisas estão pretas para as contas dos bancos. Desde o Verão quente de 2007 que os banqueiros não têm mãos a medir às perdas geradas pela crise do mercado hipotecário de alto risco norte-americano que já foram contabilizadas em 80 mil milhões de euros. Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, chegou inclusive a dizer ao Expresso que nunca viu uma crise como esta. Exagero? Talvez não. Segundo estimativas do Grupo dos Oito, os estragos criados pelo subprime deverão facilmente atingir uma cifra perto dos 262 mil milhões de euros. Economistas, analistas e profissionais da construção civil não têm dúvidas: o mercado imobiliário não deverá recuperar até 2009. Tanto mais que, depois de nos primeiros 9 meses de 2007 terem entrado em incumprimento cerca de 1,5 milhões de contratos à habitação, a Mortgage Bankers Association adianta que o número de penhoras por terras do Tio Sam aumentou, no final de 2007, para um valor recorde: 0,83 por cento de todos os empréstimos contraídos acabaram por ir parar às mãos dos financiadores.
As perspectivas não são nada animadoras. Bancos, seguradoras e imobiliárias estão todos metidos no mesmo saco. A Freedie Mac, uma das maiores empresas de financiamento hipotecário nos EUA, estima que, em 2008, serão vendidas apenas 5 milhões de casas novas e usadas nos EUA, um decréscimo de 33 por cento face ao registado em 2007. Estas são más notícias para o Citigroup, o maior banco norte-americano, que depois de apresentar prejuízos de 6,4 mil milhões de euros no quarto trimestre de 2007, planeia remediar as perdas do subprime livrando-se, ao longo de 2008 e de 2009, de 20 por cento dos imóveis e das participações financeiras de empresas do ramo imobiliário que tem em carteira. Também as contas da AIG, a maior seguradora do mundo, sofrem: a sociedade apresentou prejuízos de 3,5 mil milhões de euros no quarto trimestre de 2007 à conta de amortizações de activos devido a perdas provocadas pelo subprime.
Na Europa, o cenário também não é diferente. O expoente máximo desta embrulhada de crédito malparado veio do Reino Unido com a nacionalização do Northern Rock, que, mesmo depois do Banco de Inglaterra ter tentado salvar a solvabilidade do banco injectando 72 mil milhões de euros, pouco podia fazer o governo de Sua Majestade que não transformar o Northern Rock numa empresa pública.
Os únicos bancos que parecem escapar ao descalabro do crédito hipotecário de alto risco são os japoneses. Segundo a agência de classificação financeira Moody's, "a banca nipónica apresenta pouca exposição ao subprime norte-americano e europeu e aparenta uma liquidez financeira bastante sólida sem sinais de preocupação visíveis". Nas mesmas situações só mesmo o HSBC. A forte aposta que o maior banco europeu fez nos mercados emergentes ao longo de 2007 valeu-lhe um aumento de 21 por cento dos resultados anuais. Por essa razão, o HSBC pretende continuar no mesmo caminho para 2008 e garantir que, neste ano, 60 por cento das suas receitas provenham de mercados como a Índia, a China e Hong-Kong. Luís Leitão
1 comentário:
De Rui Carlos a 9 de Março de 2008 às 12:10
A entrada do dinheiro das Arábias e os aumentos de capital à conta dos accionistas são sinais claros da barafunda em que está a banca mundial (nacional incluída). Além disso, se pensarmos que os graus de profissionalismo da nossa CMVM e do nosso Banco de Portugal não são uma excepção mas talvez um reflexo da forma de trabalhar das restantes entidades de supervisão bancária, com certeza que as boas notícias para o sector ainda devem estar a anos luz de virem ao de cima!


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