Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Cuidado com as recomendações dos analistas

EnronAs recomendações proferidas pelos analistas sobre as acções das empresas que acompanham são um dos instrumentos que muitos investidores têm em conta nas suas posições accionistas. Afinal, estes agentes do mercado são especialistas, profissionais na avaliação de empresas, com acesso a uma vasta quantidade de informação que lhes permite tirar conclusões quanto ao futuro de uma empresa que o pequeno investidor não consegue. Mas será esta uma estratégia sensata? A julgar pelo dito popular "a sobeja confiança faz desfalecer nas obras", parece que não. Que o digam os ex-accionistas da Enron, que até pouco tempo antes de abrir falência, em 2001, tinha todos os analistas a recomendarem a compra das suas acções. A justificação é dada por Jim Chanos, presidente da Kynikos Associates, em "Enron: The Smartest Guys in the Room", um documentário sobre a ascensão e a queda da Enron: "Os analistas recebiam, rotineiramente, grandes bónus da banca de investimento se trouxessem negócios." Foi o caso do Merril Lynch, que depois de demitir John Olson, analista do banco norte-americano e um dos poucos cépticos quanto ao futuro da Enron, acabou por receber, pouco tempo depois, 2 trabalhos da Enron para a banca de investimento avaliados em 56 milhões de euros.
Será que situações como estas ainda ocorrem hoje? A contar pelo Código de Conduta do Analista Financeiro, em vigor desde Julho de 2003, os investidores não deverão temer situações destas: "A conduta profissional do analista financeiro deve pautar-se por rigorosos princípios de honestidade, integridade, dignidade, imparcialidade, prudência, correcção, justeza e diligência profissional". Porém, James Westphal, da Universidade do Michigan, e Michael Clement, da Universidade do Texas, autores do estudo "Sociopolitical Dynamics in Relations Between Top Managers and Security Analysts", depois de entrevistarem milhares de analistas de 2001 a 2003, concluíram que cerca de dois terços dos especialistas admitem receber favores das firmas das quais emitem recomendações. Mas há outros que preferem dar dinheiro a ganhar aos intermediários financeiros. É o exemplo de alguns analistas da Fidelity Investments, em que se inclui o lendário gestor e vice-presidente da Fidelity Peter Lynch, que foram acusados de receberem "ilegalmente" presentes de sociedades corretoras num valor superior a 1 milhão de euros. Segundo a SEC, entidade que regula os mercados financeiros norte-americanos, entre as oferendas contam-se viagens às Bermudas e ao México, entradas para eventos desportivos, como o torneio de ténis de Wimbledon, o troféu de golfe Ryder Cup e a final do campeonato de futebol norte-americano Super Bowl. No entanto, para não levar a investigação mais adiante, a Fidelity chegou a acordo com a SEC e acabou por pagar uma multa de 5,26 milhões de euros para que o caso fosse encerrado. Luís Leitão

Pesquisa Carteira

Arquivos

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

tags

todas as tags