Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Fiscalidade de bolso para "bolsistas"

Foto: Renegade98Impostos, ninguém gosta de os pagar. No entanto, este mal necessário está na base da sociedade e da economia actual e não há como escapar-lhes. Benjamin Franklin, o célebre inventor e fundador da nação norte-americana, disse um dia que “as únicas certezas neste mundo são a morte e os impostos”. Felizmente, nos investimentos em produtos financeiros há algumas excepções à máxima de Franklin. Para não ficar com as calças na mão depois de fazer uma mais-valia num produto financeiro, saiba quais as suas obrigações para com o fisco e como evitá-las, quando é possível. Joaquim Madrinha

Fiscalidade financeira
  • Acções As mais-valias em acções são uma excepção à máxima de Benjamin Franklin. Apesar de serem tributadas em 10 por cento, quando detidas por um período superior a 12 meses, não há imposto sobre o ganho. Não há diferença entre acções de empresas nacionais e estrangeiras.
  • Depósitos Não há escape possível. Quando o dinheiro chega à conta do aforrador, já o fisco arrecadou 20 por cento do ganho gerado pela aplicação. Este fenómeno chama-se retenção na fonte e é incontornável. Para pagar menos, o aforrador tem que optar pelo englobamento e ganhar menos que 6 873 euros por ano.
  • Dividendos Neste caso, a tributação varia consoante a nacionalidade da empresa pagadora. Se tratar-se de uma empresa nacional, o investidor paga 20 por cento sobre o dividendo a receber, com excepção das acções adquiridas em processos de privatização anteriores a 2002. Nestes casos, o fisco fica apenas com 10 por cento. Nos dividendos pagos por empresas estrangeiras, além do imposto nacional, o investidor suporta também o imposto do país de origem da empresa. Na Alemanha, por exemplo, paga-se 21,10 por cento. Ou seja, quem tiver acções da BMW, por exemplo, receberá 58,9 por cento do valor bruto pago pela companhia. Para escapar a esta erosão, o contribuinte pode solicitar um crédito de imposto por dupla tributação internacional, desde que opte pelo englobamento dos rendimentos.
  • Fundos de investimento Nos fundos geridos por sociedades nacionais, não vale a pena preocupar-se. Como a tributação é feita dentro do fundo, quando o participante do fundo resgata as unidades de participação, estas chegam à conta líquidas de impostos. Nos fundos geridos por sociedades estrangeiras, os ganhos são tributados em 20 por cento, tal como os juros dos depósitos.
  • Fundos cotados Tal como as acções, as mais-valias conseguidas com exchange-traded fund (ETF) são tributados à taxa liberatória de 10 por cento. A diferença é que não há isenção após os primeiros 12 meses da aplicação. Paga-se sempre.
  • Obrigações Os juros pagos por estes instrumentos de dívida (cupões) são taxados em 20 por cento, tal como os juros dos depósitos. No entanto, as mais-valias obtidas com a transacção das mesmas estão isentas.
  • Seguros de capitalização, unit-linked e PPR Nestes produtos, o investidor é beneficiado pelo fisco se investir no longo prazo. Nos primeiros 5 anos, a taxa aplicada é 20 por cento, descendo para 16 por cento, entre o sexto e o oitavo ano, e para 8 por cento, a partir do oitavo ano da aplicação. Para quem gosta de investir em fundos de investimento estrangeiros, os unit-linked – seguros indexados a fundos de investimento – podem ser uma alternativa mais eficiente do ponto de vista fiscal.
Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Ganhe 15% no outro lado do mundo

Templo Borobudur. Foto: M3RAté há pouco tempo a Indonésia era um dos poucos países do mundo que quando era referenciado por algum motivo dava ao povo luso uma especial agonia. Afinal, a ocupação de Timor Leste era mais do que suficiente para criar um clima de hostilidade generalizado contra o regime de Jacarta. Mas, desde há seis anos a esta parte, o cenário alterou-se. Com a independência do país de Xanana Gusmão, as tensões foram-se aliviando aos poucos e, hoje, o ex-inimigo até pode vir a tornar-se o melhor aliado da sua carteira. 
Em declarações reproduzidas pela Bloomberg, o presidente da Bolsa de Valores da Indonésia, Erry Firmansyah, afirma que o índice de referência do país asiático poderá subir 15 por cento em 2008. Nem o recuo de 11 por cento que a praça indonésia leva por esta altura serve para refrear-lhe os ânimos. “O dinheiro com que o Governo estava a subsidiar os combustíveis poderá passar a ser aplicado no desenvolvimento de infraestruturas”, refere Firmansyah. De facto, o anúncio governamental que coloca um ponto final nos subsídios estatais concedidos para contrabalançar o aumento dos preços do petróleo está a gerar grande entusiasmo entre os investidores que seguem a praça de Jacarta. É que as rupias poderão agora ser canalizadas para projectos de desenvolvimento com a finalidade de dar um novo impulso ao crescimento económico da Indonésia. As cotadas do quarto país mais populoso do mundo agradecem e prometem retribuir a afectuosidade. Mas não entre em euforia. Se acredita no potencial do país composto por 17 500 ilhas, reserve no máximo 10 por cento do seu portefólio para este investimento. A demasiada especificidade do fundo pode sair-lhe cara em períodos menos bons da economia transcontinental que se reparte entre o continente asiático e a Oceania.
Para não deixar escapar este comboio de crescimento, terá que obrigatoriamente seguir na carruagem dos fundos de investimento. É o caso do Fidelity Indonesia, que apesar de não ter resistido ao tsunami do subprime que varreu as acções um pouco por todo o mundo no Verão de 2007, recuou apenas 1,19 por cento nos últimos 12 meses. Uma solução mais diversificada poderá ser feita através do Fidelity ASEAN, que além de dedicar 14 por cento do seu portefólio a acções da Indonésia, ainda procura boas oportunidades de investimento na Malásia, Singapura e Tailândia. Ambos os fundos se encontram à venda no ActivoBank7 e no Banco Best. Diogo Nunes
Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Empresas com gestão duvidosa

Crocs. Foto: ibiscus27O mercado de capitais é um cenário repleto de armadilhas onde a compra de gato por lebre acaba por ser muitas vezes o destino dos investidores menos atentos. Foi o que aconteceu aos milhares de accionistas das gigantes norte-americanas Enron e Worldcom, que ao acreditarem nas suas administrações acabaram por em 2001 e 2002, respectivamente, passarem de accionistas de uma das maiores empresas norte-americanas para detentores de títulos de empresas falidas.
Para prevenir que os investidores sejam novamente ludibriados pelos administradores, a Audit Integrity classifica as empresas norte-americanas numa escala de 0 a 100 valores, quanto à sua integridade e transparência com base em vários indicadores contabilísticos e de governação. Quanto mais baixo for o resultado, maior é a probabilidade da empresa estar a praticar actos pouco éticos, como manipulação de informação, e ainda poder vir a enfrentar no futuro acções de litígio financeiro e material colocando em causa o desempenho das acções. A Microsoft, por exemplo, é classificada com 59 pontos e considerada uma empresa com uma condição financeira mediana. Já a Crocs, famosa pela suas sandálias coloridas, apenas alcança a marca de 29 valores por "apresentar sérias questões de integridade de governação, podendo mesmo estar a iludir intencionalmente os seus accionistas mascarando graves problemas", revela Jim Kaplan, presidente da Audit Integrity. 
Além da Crocs apenas outras 4 companhias recebem o carimbo de "empresa com elevado risco de integridade" que é sobretudo justificado por factores relacionados com políticas de recompra de acções próprias, utilização de informação financeira privilegiada e elevados incentivos de compensação dos seus funcionários.  
Por mais apetecível que seja uma acção não deixe de investigar a empresa da qual pretende tornar-se proprietário. Se é verdade que nos dias que correm "tempo é dinheiro", não custa nada além de olhar para os rácios financeiros fazer também uma pesquisa sobre a transparência e a integridade da empresa.
Por agora, pode continuar a levar as suas crocs para a praia mas quanto a acções da retalhista de calçado e de vestuário, o melhor é procurar outras modas. Luís Leitão
 
Gestão enganosa
A pouca ética e a falta de transparência da governação valeram a estas empresas o estatuto de sociedade com elevado risco de integridade
 
DTS
Sector: Electrónica
Resultado AGR: 36
Bolsa: Nasdaq
 
Sector: Tecnologia
Resultado AGR: 34
Bolsa: Nasdaq
 
Sector: Saúde e bem-estar
Resultado AGR: 29
 
Crocs
Sector: Calçado e vestuário
Resultado AGR: 29
Bolsa: Nasdaq
 
Apollo Group
Sector: Educação
Resultado AGR: 20
Bolsa: Nasdaq
 
Fonte: Audit Integrity, Bloomberg. Resultado AGR numa escala de 0 a 100: quanto mais baixo for o resultado, maior é a probabilidade da empresa estar a praticar actos pouco éticos.
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Ouro cada vez mais negro

Petróleo. Foto: gunnivbQue os preços do petróleo continuam a sua cavalgada na direcção de novos máximos já não é novidade para ninguém. E que a cotação das petrolíferas tem acompanhado o movimento altista a par e passo também não. A grande questão é: “Ainda há espaço para novas valorizações dos títulos do sector petrolífero?”.
Robin Batchelor, gestor do BlackRock World Energy, acredita que sim e explica o racional: “A combinação da procura crescente e da contracção na oferta vai fazer com que os preços do petróleo continuem fortes. O que isto significa para as petrolíferas? O sector energético negoceia actualmente a desconto face ao mercado em geral e acreditamos que a história da sustentabilidade dos elevados preços do crude ainda não está incorporada nas avaliações das acções do sector.”
O especialista frisa que “os analistas continuam a utilizar o preço de longo termo do petróleo entre os 70 e os 80 dólares nas suas avaliações, mas a curva dos futuros do crude está já acima dos 125 dólares por barril até 2015”. Conclusão? “À medida que os analistas aumentem as suas projecções sobre os preços do ouro negro e, consequentemente, as suas expectativas de resultados, podemos esperar uma forte reclassificação das acções energéticas”, sublinha Robin Batchelor.
Ainda por cima, os constrangimentos no aumento da oferta estão a ser superiores ao esperado, em virtude do atraso em diversos projectos de exploração, do declínio superior ao previsto dos principais campos petrolíferos e aos cortes na produção da OPEP. Há ainda receios sobre o abastecimento futuro, exacerbados pelas tensões políticas em países como a Nigéria ou o Irão. Mais, o petróleo caro criou outro fenómeno: o nacionalismo dos recursos, que consiste no facto de os países onde abunda o ouro negro pretenderem uma fatia maior dos lucros da indústria. É o caso da Rússia, que após uma década de rápido crescimento na disponibilização de crude, preferiu arrepiar caminho e hoje estabilizou a oferta de crude para exportação. 
Se ficou com a pulga atrás da orelha, mas acha que as velozes subidas dos preços das acções petrolíferas nos últimos anos poderão estar a esgotar-lhes o potencial de valorização, fique com os dados seguintes e talvez mude de ideias: a China consome hoje tanto petróleo por habitante como os EUA “bebiam” no longínquo ano de 1905, antes da produção em massa do modelo C da Ford e da descoberta dos motores a jacto; se a China e a Índia aumentassem a sua produção per capita para os actuais níveis norte-americanos, apenas os dois países necessitariam de absorver 160 milhões de barris por dia, mais do dobro da actual oferta mundial de petróleo. Ou seja, a culpa volta a ser dos (gigantes) emergentes. Você vai ficar fora de jogo? Diogo Nunes

3 fundos cheios de energia
A valorização de 107 por cento do preço do petróleo nos últimos 3 anos arrastou estes fundos para rendibilidades anuais de 2 dígitos
Fundos
Rendibilidade
3 anos
Onde comprar
American Express Global Energy Equities
25,93%
Invesco Energy
22,36%
BlackRock World Energy
18,18%
Fonte: Bloomberg. Rendibilidades anualizadas em euros. 27 de Maio de 2008.
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Ganhar ou perder não é o desporto delas

Marcas desportivas. Foto: yousoundhollowNão é só a vitória desportiva que está em causa numa final da Liga dos Campeões como foi a disputa entre Manchester United e Chelsea FC. Os dois clubes ingleses cobiçaram o prestígio e os 7 milhões de euros de prémio final, mas as duas marcas que vestem os 11 jogadores de cada lado também entraram em campo. De um lado, a norte-americana Nike, que equipa Cristiano Ronaldo, Nani e os restantes red devils e do outro, a concorrente germânica Adidas, que dá o azul aos antigos jogadores de José Mourinho.
No Europeu de futebol, que começa no próximo dia 7 de Junho, vão estar de novo as duas marcas em contenda, mas agora contam com outro nome de peso nos equipamentos desportivos, a Puma, criada por um irmão do fundador da Adidas, Adi Dassler.
Se em campo as camisolas vestem os jogadores qual é a camisola que deve vestir na bolsa? Para os analistas, as 3 marcas são bons investimentos para amealhar alguns ganhos.
A Adidas que é a fabricante da bola oficial do Campeonato Europeu de Futebol na Áustria e na Suíça e que patrocina a selecção campeã em título, a Grécia, mantém a estimativa de lucros-recorde de vendas durante este ano, tendo já os resultados do primeiro trimestre ficado acima das estimativas dos analistas. As cinco selecções que vão entrar em campo com a marca germânica, que é líder europeia em produtos desportivos, são apenas o começo do festival de exibição da marca que se prolongará aos Jogos Olímpicos de Pequim.
A Puma, que patrocina o clube russo que ganhou a taça UEFA, o Zenit de São Petersburgo, divulgou quebras nos lucros no primeiro trimestre resultante do forte investimento em marketing para os dois acontecimentos desportivos que vão marcar 2008, mas continuam a prever uma subida das vendas. No Europeu de futebol, a empresa que tem um potencial de valorização dos títulos em bolsa de 6,5 por cento faz-se representar pela detentora do título mundial, a Itália, e por mais 4 equipas, entre elas as duas anfitriãs, Áustria e Suíça.
Em campo estará também o maior fabricante do mundo de equipamento desportivo, a norte-americana Nike, que atingiu no primeiro trimestre do ano um valor de receitas 11 por cento acima do valor registado no ano anterior. A forte aposta na Índia e na China, dois mercados em ascensão no consumo de material desportivo, podem ajudar os títulos da marca que tem nas suas fileiras a selecção de Portugal e o jogador na calha para ganhar o prémio de melhor do ano, Cristiano Ronaldo. Nuno Alexandre Silva

Vista uma camisola
A montra do Europeu de futebol pode dar maior visibilidade às marcas que já dominam o panorama desportivo
Empresa Potencial de valorização Bolsa Equipas que veste no Euro 2008
Adidas 11,09% Frankfurt Alemanha, Espanha, França, Grécia e Roménia
Nike 9,83% Nova Iorque Croácia, Holanda, Portugal, Rússia e Turquia
Puma 6,54% Frankfurt Áustria, Itália, Polónia, República Checa e Suíça
Fonte: Bloomberg. Potencial de valorização calculado com os preços de 22 de Maio
Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Bolha verde nas renováveis

Bolha. Foto: MeckiM@cExistem duas características semelhantes entre as bolhas de sabão e as bolhas que se formam nos mercados accionistas: ambas são transparentes e quando rebentam, quem está por baixo é que fica encharcado. Ora de água, ora de prejuízos.
Depois da proliferação das empresas tecnológicas no final da década de 1990 e que terminou com a bolha das dotcom em 2001, a KPMG vem agora alertar os investidores para o risco de se estar a formar uma nova vaga especulativa no mercado accionista: uma bolha verde centrada nas energias renováveis.
Segundo a consultora, depois de em 2007 se ter assistido a um boom de fusões e aquisições no sector das energias renováveis e que culminou com uma cifra estimada de 35,8 mil milhões de euros - 47 por cento superior a 2006 -, é esperado que esta vaga de consolidação no sector perdure ao longo do ano. Porém, isso só deverá acontecer porque “alguns players do mercado parecem ignorar os vários riscos que envolve o investimento em renováveis, como é a habilidade que os governos têm para mudarem de uma hora para a outra as suas políticas de energia verde”, revela a KPMG num relatório sobre as energias renováveis intitulado de “Turning up the heat”.
Para os investidores que estão de olho na oferta pública de venda da EDP Renováveis, estes são sinais de que nem tudo o que brilha é ouro. Antes de tomar qualquer decisão é preciso contabilizar os prós e contras do investimento. E para isso, é preciso ler o prospecto de oferta pública de subscrição e de admissão à negociação das acções para se ficar a saber que a EDP Renováveis pretende utilizar os cerca de 1 780,9 milhões de euros, que estima receber da operação, não apenas para financiar a estratégia de negócio da EDP Renováveis mas também para proceder ao reembolso de grande parte da dívida contraída junto do Grupo EDP que, em 31 de Março de 2008, era de 2 375,6 milhões de euros.
Por vezes, a célebre frase follow the trend, the trend is your friend (segue a tendência, a tendência é tua amiga) pode até revelar-se proveitosa no curto prazo mas, como reza a história, mais tarde ou mais cedo essa tendência acaba sempre por ceder. Por isso, de duas uma: ou se evita correr o risco de embarcar numa bolha especulativa ou então, lança-se à sorte e espera-se que quando ela rebentar já se esteja fora do raio de acção dos salpicos. Luís Leitão

 

A aquecer
Durante o último ano a única regra dos accionistas destas empresas era somente uma: comprar sem olhar a números. E hoje, haverá alguém que queira continuar a seguir essa regra?
Empresa Preço P/L P/VC Rendibilidade 12 meses
Nova Iorque
57.75€ 180,81 8,20 47,16%
Nova Iorque
190,69€ 154,48 20,32 306,28%
Paris
47,00€ 55,17 3,8 10,14%
Frankfurt
81,33€ 50,86 4,81 51,93%
Fonte: Bloomberg. P/L = Preço ÷ lucro de 12 meses. P/VC = Preço ÷ valor contabilístico dos capitais próprios por acção. Rendibilidade em euros. 19 de Maio de 2008.
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Crianças: poupanças que crescem como eles

Chupa-chupa. Foto: redtinselSe está a pensar fazer uma conta de poupança para o seu rebento, esqueça. Estas contas até dão uns presentes giros no acto da abertura e algumas até oferecem seguros, mas as taxas de rendibilidade oferecidas são sempre inferiores à taxa de inflação e por isso incapazes de proporcionar a manutenção – pelo menos – do poder de compra da criança. O segredo para assegurar um fundo maneio que permita ao seu rebento tirar o curso que sempre quis no estrangeiro ou aliviar os pais da despesa com a viagem de finalistas está nas acções. Medo? É verdade que são activos arriscados, mas são também os mais rentáveis no longo prazo. De acordo com os dados compilados por Jeremy Siegel, professor na Wharton School da Universidade da Pensilvânia e autor de livros como “Stocks for the Long Run” e “The Future for Investors”, entre 1802 e 1998, as acções renderam em média 7 por cento. Não acredita? Dê uma vista de olhos às rendibilidades dos fundos nacionais de acções mais antigos. O Santander Acções Portugal e o BPI Europa Valor, 2 fundos nacionais de acções com 15 e 17 anos, respectivamente, renderam 9,6 e 14 por cento por ano. Isto, sim, é poupança que cresce com os miúdos.
A estratégia a adoptar ao investir para garantir o futuro financeiro dos filhos deve ser semelhante à adoptada para assegurar a reforma dos pais. Deve-se começar o mais cedo possível, para poder arriscar e obter a maior taxa de rendibilidade possível e investir de forma regular e disciplinada. Começar cedo significa menor esforço. Por exemplo, para amealhar 25 mil euros em 18 anos, basta investir mensalmente 59,4 euros num produto que renda anualmente 7 por cento. Porém, se o tempo do investimento se reduzir para 10 anos, o esforço mensal aumenta para 146,2 euros. Isto mantendo-se as condições do produto financeiro. Esta diferença deve-se a um fenómeno que Albert Einstein chamou “o milagre da capitalização”, um produto do tempo e da taxa de rendibilidade a que os pais não podem ficar alheios. Depois é só fazer a gestão do risco do investimento: enquanto faltar mais de 10 anos para usar a poupanças dos miúdos aplique-as em fundos de acções e assim que entrar na última década passe o capital aplicado nestes para um fundo de obrigações a um ritmo anual de 10 por cento. Desta forma expõe-se às acções e gere o risco da aplicação à medida que o prazo se aproxima. Joaquim Madrinha
 
Ricos mealheiros
Não se assuste com as rendibilidades de curto prazo. Segundo o seu desempenho histórico, estes fundos podem ajudar os pais a assegurar o futuro financeiro dos filhos 
Produto
Rendibilidade
12 meses
Risco
Onde comprar
Fundos de acções
BPI Reestruturações
-5,46%
Médio alto
ActivoBank7, Banco Best, Banco BPI, BPI
Santander Acções Portugal
-14,60%
Alto
ActivoBank7, Banco Best, Banco Big, Santander Totta
Fundos de obrigações
BPI Euro Taxa Fixa
5,52%
Médio baixo
ActivoBank7, Banco Best, Banco BPI, BPI
Espírito Santo Obrigações Europa
3,78%
Baixo
Banco Best, Banco Espírito Santo
 Fonte: APFIPP. Rendibilidade em euros líquida de impostos. 9 de Maio de 2008
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

OPA da Microsoft sobre a Yahoo renasce das cinzas

Fénix. Foto: Guacamole GoalieQuando toda a gente pensava que a junção da Microsoft e da Yahoo para combater o domínio do Google na publicidade online já era coisa do passado, o bilionário Carl Icahn resolveu dar um murro na mesa e reabrir a discussão. O espírito agitador do investidor de 72 anos é sobejamente conhecido em Wall Street e a sua posição de relevo na Yahoo dá-lhe força na reivindicação para o retomar das negociações com a gigante (ainda) liderada por Bill Gates. O segundo maior accionista individual da Yahoo ameaça até reforçar a sua posição, gastando quase 600 milhões de euros para se aproximar dos 7 por cento do capital da empresa.
Isto, numa altura crucial, já que vão haver eleições para a administração da Yahoo no próximo dia 3 de Julho. Carl Icahn já tem uma lista com 10 nomes pronta para avançar contra a actual administração – a mesma que rejeitou a oferta da Microsoft –, onde pontuam o detentor da equipa de basquetebol profissional norte-americana Dallas Mavericks e o ex-presidente da Viacom, estando a mexer-se no sentido de tomar o controlo da empresa.
Em declarações hoje proferidas, o bilionário que figura na lista dos 50 homens mais ricos do mundo em 2008 da revista Forbes, diz que a combinação da Yahoo e da Microsoft “é de longe o caminho mais sensível” para combater a hegemonia do Google, quer ao nível dos motores de busca (nos EUA, em cada 3 cliques de pesquisa na Internet, 2 são feitos via Google, enquanto a Yahoo tem um peso ligeiramente acima dos 20 por cento e a Microsoft não chega aos 10 por cento), quer em termos do mercado publicitário online, o qual deverá dobrar o actual valor para os 52 mil milhões de euros em apenas 2 anos.
Antes deste anúncio, Carl Icahn já tinha feito mossa noutras cotadas de Wall Street. Os exemplos mais ilustrativos foram o combate às administrações da Motorola e da farmacêutica ImClone Systems, forçando-as a venderem parte ou mesmo a totalidade dos activos de forma a fazer renascer as suas cotações bolsistas. Terá sucesso nesta nova investida? É esperar para ver. Uma coisa é certa, o “ataque” serviu, pelo menos, para animar a cotação de 2 das 3 empresas envolvidas na operação: a meio da sessão de hoje no outro lado do Atlântico (18h30 em Portugal), a Microsoft ganhava 1,5 por cento e o Google subia 0,6 por cento. Só mesmo a tecnológica que Carl Icahn pretende controlar é que não alinhava na brincadeira e recuava leves 1,5 por cento. Será que lhe vai sair o tiro pela culatra? Diogo Nunes

Google ainda se ri
Desde que Bill Gates anunciou a 1 de Fevereiro a OPA hostil sobre a Yahoo, a cotação das acções das duas empresas desceram enquanto que a Google valorizou 1,67%.
Empresas Preço Rendibilidade desde OPA
Google 376,14€ 1,67%
Microsoft 19,73€ -14,07%
Yahoo 18,01€ -17,33%
Fonte: Bloomberg. Rendibilidades em euros. 15 de Maio de 2008.

 

Risco vira-casacas

Allan Conway, gestor da Schroders“Pela primeira vez na história, os fundamentais económicos dos mercados emergentes são mais fortes do que os desenvolvidos, logo, o investimento é mais seguro”, revela Allan Conway, guru dos mercados emergentes da Schroders (na fotografia), numa passagem por Lisboa. O responsável acrescenta que, “antes, falar nos emergentes era sinónimo de risco, mas hoje é ao contrário: o prémio de risco está em tirar dinheiro dos emergentes para investir nos EUA”.
A furiosa crise do subprime que rebentou em 2007 na hiperpotência mundial e cujos efeitos ainda se fazem sentir é a grande culpada por esta alteração histórica. Porém, como afirma Allan Conway, “não é de forma alguma uma crise dos emergentes”. Ficam alguns indicadores que confirmam a teoria: os baixos níveis de dívida, o forte aumento do valor contabilístico, os melhores níveis de poupança e as rápidas taxas de crescimento. Por isto, o gestor afirma sem hesitar que, “actualmente, os emergentes é que são as economias fortes”. Ainda por cima, o próprio crescimento dos emergentes mudou de rosto, já que antes estava muito dependente das exportações para os EUA e a União Europeia e, quando havia uma crise nos desenvolvidos, todos corriam a vender as acções dos emergentes. Agora, a lógica é outra: o crescimento mais rápido e consistente dos emergentes face aos desenvolvidos, que “deve continuar durante os próximos 10 anos”, como prevê Conway, fez com que o risco fizesse as malas e mudasse de armas e bagagens para o outro lado da fronteira. O perito explica que, no ano passado, “60 por cento do crescimento mundial foi emergente e que, em 2008, o peso deverá subir para os 70 por cento”.
Mas há mais, já que também pela primeira vez o comércio entre os emergentes é mais importante do que com os desenvolvidos e, mais do que as exportações, os emergentes estão a beneficiar do elevado aumento da procura doméstica. “Há cada vez mais gente e mais rica, puxando mais pelo consumo e pela procura interna”, sintetiza o especialista. O mesmo que antevê “um forte rally das acções dos emergentes no segundo semestre do ano" (provavelmente no quarto trimestre), admitindo que com a retoma da confiança “os emergentes vão aparecer muito fortes”. Alguém quer ver o portefólio a emergir? Diogo Nunes
 
Duas emergências de carteirista
Das numerosas opções disponíveis em Portugal para acompanhar os retornos emergentes, a Carteira seleccionou 2 produtos
Fundos
Rendibilidade anual
Onde comprar
1 ano
5 anos
Fidelity Emerging Markets E
6,33% 
 23,23%
JP Morgan Emerging Markets Equity D
 3,24%
23,34%
Fonte: Bloomberg. Rendibilidade em euros líquida de impostos. 14 de Maio de 2008
Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Telefones para tribos urbanas

Tag, Extravanganza ou Moche? Foto: MarkKelleySe está a pensar aproveitar as borlas das operadoras móveis, comece por convencer a família e os amigos a mudar de tarifário consigo. Quem olhar para os preçários das 3 maiores empresas de telefones móveis que disputam os grupos e as tribos de portugueses vai pensar que se limitaram a reproduzir os preços concorrentes. Optimus Tag, TMN Moche e Yorn Power Extravaganza são os produtos para tornar mais baratas as comunicações entre amigos, conhecidos, namorados ou qualquer outra comunidade que não consiga calar o que lhe vai por dentro, quase de forma obsessiva. Só há 2 grandes diferenças nos tarifários tribais: a Optimus converte todos os carregamentos em saldo (enquanto a concorrência cobra mensalidades de 10 euros apenas para ter acesso aos serviços) e a TMN dá 1500 mensagens escritas por dia (enquanto os outros oferecem 1500 mensagens por semana). A única diferença nas chamadas telefónicas vem da parte da Yorn, que permite aos apressados que falem em menos de um minuto para a rede Vodafone pagar menos do que nos outros serviços, mas penaliza-os quando falam mais que um minuto. Nuno Alexandre Silva
 
Tarifários semelhantes
A disputa faz-se ao milímetro, mas não é fácil levar vantagem no tarifário. As conversões das mensalidades em chamadas são o trunfo do Tag
  Optimus Tag Yorn Power Extravaganza TMN Moche
Chamadas
Para clientes do mesmo serviço 0€
Para clientes da mesma rede
Primeiro minuto 0,18€ 0,12€ 0,18€
Restantes minutos 0,05€ 0,05€
Para clientes de outras redes 0,20€/minuto
 
SMS
Para clientes do mesmo serviço 0€
Para clientes da mesma rede 1500 gratuitas/semana 1500 gratuitas/semana* 1500 gratuitas/dia
Para clientes de outras redes 0,06€
       
MMS
Para clientes do mesmo serviço 0€
Para clientes da mesma rede 0,31€ 0,39€
Para clientes de outras redes 0,39€
 
Videochamada 0,60€/minuto
 
Mensalidade* desde 5€ por 15 dias convertidos em saldo 10€
Fonte: Operadoras. *Para adesões até 31 de Maio de 2008

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