Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Quanto vale um bago de arroz?

Uma malga de receitas. Foto: tamakiNinguém pára o preço do arroz! O alimento-base da maioria da população mundial está ao rubro e tem batido sucessivamente o seu preço máximo histórico. Já chegou a alcançar os 14,59 euros por 100 libras (cerca de 45,36 quilogramas) na bolsa de futuros e opções de Chicago. Isto significa que a sua cotação duplicou no espaço de 12 meses.
Por detrás das fortes valorizações das últimas semanas está o anúncio feito pelas Filipinas, que é “só” o maior importador de arroz do mundo, que pretende importar quase mais um milhão de toneladas em 2008 do que no ano passado (passando das 1,9 milhões de toneladas para as 2,7 milhões de toneladas).
Como se não bastasse o apetite filipino, os principais países exportadores de arroz têm vindo a anunciar a redução da disponibilidade dos stocks para a venda ao exterior, criando grande pressão sobre os preços. É que também na China, no Egipto, no Vietname e na Índia, que representam mais de um terço da oferta mundial de arroz, o rápido crescimento da população obriga a acautelar as suas necessidades alimentares básicas. A Indonésia deverá seguir pelo mesmo caminho.
Face à actual situação, os especialistas contactados pela Bloomberg consideram que “o rally dos preços pode ainda não ter terminado” e que é expectável que “o preço do arroz se mantenha acima dos 22 dólares [13,79 euros] por 100 libras durante grande parte do resto de 2008". O próprio Banco Mundial alerta que, após 6 anos seguidos de subida dos preços dos alimentos e da energia, as tensões sociais podem eclodir em 33 países do globo. Aliás, no Burkina Faso, nos Camarões, no Egipto, na Indonésia, na Costa do Marfim, na Mauritânia, em Moçambique e no Senegal já há relatos de revoltas (com algumas mortes contabilizadas) nas últimas semanas por causa da subida dos preços dos produtos alimentares e energéticos. E não se pense que a crise só afecta as nações mais pobres do mundo. Também em Itália houve um boicote em Setembro às massas e ao pão, no México foi a greve às tortilhas e, em Janeiro, o Paquistão teve de enviar tropas para guardarem as zonas de armazenamento dos cereais. Por cá, quem não se recorda de todo o barulho em torno da subida do preço do pão no início do ano?
Com o embalo que o arroz leva, porque não aproveitar a boleia das empresas que vivem dos arrozais? Poderá ser interessante olhar com atenção aqui para o lado, para a vizinha Espanha, com a Ebro Puleva em destaque. A empresa espanhola é líder na Europa no que toca à produção e à distribuição de arroz e reúne grande consenso entre os analistas (entre 15 profissionais que a acompanham, há 14 recomendações de compra e apenas 1 de manutenção dos títulos). Em Portugal, o grupo controla as Arrozeiras Mundiarroz, em Coruche, responsável pela marca Cigala. A companhia está a cotar nos 13,38 euros e, face ao preço-alvo médio a 12 meses, apresenta por esta altura um potencial de valorização acima de 26 por cento. Abriu-se-lhe o apetite? Diogo Nunes

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