Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Crianças: poupanças que crescem como eles

Chupa-chupa. Foto: redtinselSe está a pensar fazer uma conta de poupança para o seu rebento, esqueça. Estas contas até dão uns presentes giros no acto da abertura e algumas até oferecem seguros, mas as taxas de rendibilidade oferecidas são sempre inferiores à taxa de inflação e por isso incapazes de proporcionar a manutenção – pelo menos – do poder de compra da criança. O segredo para assegurar um fundo maneio que permita ao seu rebento tirar o curso que sempre quis no estrangeiro ou aliviar os pais da despesa com a viagem de finalistas está nas acções. Medo? É verdade que são activos arriscados, mas são também os mais rentáveis no longo prazo. De acordo com os dados compilados por Jeremy Siegel, professor na Wharton School da Universidade da Pensilvânia e autor de livros como “Stocks for the Long Run” e “The Future for Investors”, entre 1802 e 1998, as acções renderam em média 7 por cento. Não acredita? Dê uma vista de olhos às rendibilidades dos fundos nacionais de acções mais antigos. O Santander Acções Portugal e o BPI Europa Valor, 2 fundos nacionais de acções com 15 e 17 anos, respectivamente, renderam 9,6 e 14 por cento por ano. Isto, sim, é poupança que cresce com os miúdos.
A estratégia a adoptar ao investir para garantir o futuro financeiro dos filhos deve ser semelhante à adoptada para assegurar a reforma dos pais. Deve-se começar o mais cedo possível, para poder arriscar e obter a maior taxa de rendibilidade possível e investir de forma regular e disciplinada. Começar cedo significa menor esforço. Por exemplo, para amealhar 25 mil euros em 18 anos, basta investir mensalmente 59,4 euros num produto que renda anualmente 7 por cento. Porém, se o tempo do investimento se reduzir para 10 anos, o esforço mensal aumenta para 146,2 euros. Isto mantendo-se as condições do produto financeiro. Esta diferença deve-se a um fenómeno que Albert Einstein chamou “o milagre da capitalização”, um produto do tempo e da taxa de rendibilidade a que os pais não podem ficar alheios. Depois é só fazer a gestão do risco do investimento: enquanto faltar mais de 10 anos para usar a poupanças dos miúdos aplique-as em fundos de acções e assim que entrar na última década passe o capital aplicado nestes para um fundo de obrigações a um ritmo anual de 10 por cento. Desta forma expõe-se às acções e gere o risco da aplicação à medida que o prazo se aproxima. Joaquim Madrinha
 
Ricos mealheiros
Não se assuste com as rendibilidades de curto prazo. Segundo o seu desempenho histórico, estes fundos podem ajudar os pais a assegurar o futuro financeiro dos filhos 
Produto
Rendibilidade
12 meses
Risco
Onde comprar
Fundos de acções
BPI Reestruturações
-5,46%
Médio alto
ActivoBank7, Banco Best, Banco BPI, BPI
Santander Acções Portugal
-14,60%
Alto
ActivoBank7, Banco Best, Banco Big, Santander Totta
Fundos de obrigações
BPI Euro Taxa Fixa
5,52%
Médio baixo
ActivoBank7, Banco Best, Banco BPI, BPI
Espírito Santo Obrigações Europa
3,78%
Baixo
Banco Best, Banco Espírito Santo
 Fonte: APFIPP. Rendibilidade em euros líquida de impostos. 9 de Maio de 2008
2 comentários:
De Fernando Correia a 20 de Maio de 2008 às 22:33
Viva,

Concordo com o referido no artigo, mas não existem já soluções disponíveis no mercado que fazem este balanceamento de forma automática? Refiro-me aos fundos Target da Fidelity, por exemplo...
De Carteira.pt a 27 de Maio de 2008 às 22:48
Sim, existem e são uma solução a equacionar. No entanto, os 1000 euros exigidos para fazer reforços, e os 20 por cento de imposto sobre as mais-valias conseguidas, não abonam a seu favor.

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