Sábado, 14 de Junho de 2008

Trabalhar mais horas não é solução para a crise

Trabalhar. Foto: zenQue vivemos em tempo de vacas magras já ninguém dúvida. E o pior é que o panorama não está famoso para a maioria dos orçamentos familiares. Entre subidas quase diárias do preço dos combustíveis e dos alimentos e a prestação da casa que não pára de aumentar vale-nos o Rock in Rio, as marchas populares e as vitórias da nossa Selecção no Euro 2008 para esquecer por uns breves instantes os males da crise!
Podia pensar-se que em tempos de maiores dificuldades, com a taxa de desemprego em Portugal a atingir valores históricos, as pessoas tivessem a tendência para trabalharem mais e durante mais tempo para assim garantirem o seu posto de trabalho e, por arrasto, conseguisse aumentar produtividade das empresas. Nada mais ilusório. O resfriamento da economia e a depressão no mercado de trabalho parece estar a embutir o aumento de lassitude dos trabalhadores a dedicarem-se cada vez menos aos seus empregos. Segundo um estudo recente elaborado pela consultora norte-americana Leadership IQ, os trabalhadores estão a desperdiçar mais 44 por cento do seu horário laboral a fazerem qualquer outra coisa que não seja as suas funções, em comparação ao que acontecia no ano passado. A maioria dos trabalhadores questionados pela Leadership IQ revelaram que utilizam cerca de 25 por cento do seu tempo passado no escritório em chats. Aliás, o estudo vai mais longe e revela que se há um ano atrás a maioria dos trabalhadores desperdiçava o seu horário de expediente na internet a fazer compras, a navegar por sítios de entretenimento, a escrever e a responder a e-mails, actualmente, no topo das actividades extra-emprego estão as buscas na internet por oportunidades de emprego, novas soluções financeiras para os seus orçamentos familiares e horas de conversação passadas em chats com amigos e familiares. Além disso, o estudo conclui que hoje grande parte parte dos trabalhadores passa grande parte do seu tempo preocupado com problemas pessoais. Significa que, apesar de o tempo passado no emprego ter aumentando, o tempo útil a trabalhar é menor e consumido por preocupações com dinheiro, emprego e família.
Se concordarmos que "o medo do tédio é a única desculpa para o trabalho", segundo afirmava Jules Renard, talvez seja boa ideia aproveitar o fim-de-semana para desfrutar de tempo de qualidade em família, e quando segunda-feira se sentar de novo à secretária possa escolher uma das filosofias de Aristóteles, "o prazer no trabalho aperfeiçoa a obra", em vez de encarar o período das 9 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, como um martírio, porque "o horror ao trabalho dá trabalhos sem conta". Luís Leitão

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