Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Certificados de Cada Vez Menor Aforro

As comunicações do governo estão cada vez mais parecidas com as dos bancos: quase toda a informação é areia para os olhos. Isso ficou evidente na comunicação do novo regime dos certificados de aforro, que lança a série C dos produtos. "A taxa de remuneração base da série C é superior à da série B modificada em quase 1 por cento e é também superior à taxa da anterior série B em 0,1 por cento", lê-se na informação disponibilizada. "O prémio de permanência máximo foi aumentado para 2,5 por cento, mas com uma graduação que lhe permite cumprir o seu papel de incentivo à poupança de longo prazo, sendo apenas atingido no final do nono ano de vida do certificado de aforro", completa. É tudo verdade, mas onde está o resto?
Os rendimentos dos novos certificados de aforro chegam a ser 15% inferioresA Carteira fez todas as contas. No início do ano, o Instituto de Gestão do Crédito Público, a entidade responsável pelos certificados de aforro, tinha anunciado uma taxa-base de 3,72 por cento. Agora, quem ainda tem títulos de série B passa a ter uma taxa-base 25 por cento mais baixa, o que dá 2,79 por cento. Os prémios continuam a ser os mesmos: uma taxa-extra de 0,25 por cento por semestre a partir do segundo até ao prémio máximo de 0,25 por cento.
Porém, quem for a partir de amanhã à procura de certificados de aforro tem de adquirir a nova série C. A taxa-base resulta de um algoritmo aplicado sobre a Euribor a 3 meses (antes era uma média ponderada sobre a Euribor a 3 meses e a Euribor a 6 meses) que dá inicialmente uma taxa-base superior. Contudo, é preciso esperar mais pelos prémios, a verdadeira razão para subscrever certificados de aforro: 0,25 por cento no segundo ano, 0,50 por cento no terceiro ano, 0,75 por cento do quarto ao sétimo ano, 1 por cento no oitavo, 1,5 por cento no novo e 2,5 por cento no décimo. Além disso, o produto vence-se no final do décimo ano, o que não acontecia antes. Ou seja, só é possível capitalizar à taxa máxima durante 1 ano.
Feitas as contas, se aplicar 1000 euros a partir de amanhã em certificados de aforro, em vez de esperar acumular 1521 euros em 10 anos tem de baixar as expectativas para 1462 euros, o que representa uma redução superior a 12 por cento das mais-valias. David Almas
1 comentário:
De Felipe Sousa a 27 de Janeiro de 2008 às 21:43
Bom artigo. Mas o que eu gostava mesmo de saber é se existe algum produto bancário que, depois destas alterações, seja melhor do que os certificados de aforro. Obrigado e parabéns pelo blog!

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