Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Invista como os milionários

Portefólio estimado dos milionários em 2009O ano passado não foi famoso para a generalidade dos mercados de referência mundiais, mas quem tem rios de dinheiro não sofreu muito com a crise. Pelo menos, a julgar pelo aumento de 9,4 por cento da riqueza concentrada nos "high net worth individuals" – indivíduos com activos líquidos de pelo menos 1 milhão de dólares (635 mil euros) excluindo a sua residência primária e consumíveis –, que ascende já a 25,8 biliões de euros. A conclusão é extraída da 12.ª edição do World Wealth Report, publicado pela Merrill Lynch e pela Capgemini, que avança com mais dados curiosos: o número de milionários aumentou 6 por cento a nível global para 10,1 milhões e a quantidade de multimilionários – indivíduos com activos líquidos de pelo menos 30 milhões de dólares (19 milhões de euros) excluindo a sua residência primária e consumíveis – cresceu 8,8 por cento. Em 2007, pela primeira vez, a média da riqueza dos milionários superou os 2,5 milhões de euros.
O estudo argumenta que o crescimento global permaneceu sólido no ano passado face aos 2 principais factores de geração de riqueza: taxa de crescimento real do PIB e capitalização de mercado. “Os ganhos económicos globais do primeiro semestre de 2007 alavancaram o crescimento mundial dos milionários, enquanto, no segundo semestre, as economias emergentes compensaram as que se encontravam em fase de abrandamento, designadamente as economias mais maduras”, refere o relatório da riqueza mundial. Recorde-se que a economia global cresceu 5,1 por cento em 2007, uma ligeira desaceleração face aos 5,3 por cento obtidos em 2006.
Onde é que estes seres altamente endinheirados investem? “Os ambientes macroeconómicos divergentes no início e no final de 2007 ajudaram os milionários a definir as suas estratégias de alocação de riqueza. Nos primeiros meses de 2007 investiram fortemente em activos com risco, com base no optimismo de 2006, mas acabaram por transferir os seus investimentos para activos mais seguros e menos voláteis”, sublinha o estudo.
Nota para o crescimento do investimento ambientalista, que se situou nos 74 biliões de euros graças à subida de 41 por cento desde 2005, com grande força da energia eólica e solar. O Médio Oriente e a Europa tiveram os milionários e os multimilionários mais ambientalmente sintonizados, com participações que vão desde os 17 por cento aos 21 por cento. Comparativamente, apenas 5 por cento dos milionários e 7 por cento dos multimilionários da América do Norte alocaram parte da sua carteira a investimentos em títulos de empresas que actuam na área das tecnologias limpas. Metade dos milionários em termos globais assumem que na base desta escolha está o elevado retorno financeiro. No que toca à distribuição geográfica, fica demonstrado que o dinheiro dos seres mais ricos do mundo está gradualmente a abandonar o continente norte-americano e a transferir-se para os mercados emergentes. A Europa e a Ásia-Pacífico mantêm-se estáveis e a África e a América Latina estão a ganhar terreno a olhos vistos.
Já sabe, mesmo que não seja nenhum Bill Gates, nem tenha um milhão para aplicar na bolsa, pode amealhar uns trocos e atirar-se de cabeça para o fabuloso mundo das energias renováveis. Boa parte da fortuna dos 10 milhões de homens e de mulheres mais ricos do Planeta já lá está. Diogo Nunes
Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Aviões europeus levantam com o dólar

Airbus A330. Foto: CaribbSe o sector da aviação europeu tem sentido o efeito negativo do momento económico e dos elevados preços do petróleo, a Air France-KLM caiu 33 por cento e a British Airways 25 por cento desde o princípio do ano, os construtores aeroespaciais já estão de olho na recuperação da economia norte-americana e do regresso do dólar à disputa com o euro para voltar a levantar os lucros. Pelo menos a julgar pelo perfil de exposição ao dólar norte-americano que a sociedade de investimento JPMorgan traçou. A instituição financeira estudou a sensibilidade às oscilações do dólar dentro do sector e encontrou as companhias que mais poderão vir a beneficiar do retorno ao equilíbrio das taxas de juro entre o banco liderado por Jean-Claude Trichet, o Banco Central Europeu, e a Reserva Federal norte-americana, conduzida por Ben Bernanke.
No primeiro lugar da exposição ao dólar está a construtora europeia EADS, responsável pelo maior avião comercial do mundo, o Airbus A380, mas também por equipamento militar e de defesa. Por cada redução de 10 cêntimos de dólar na cotação euro-dólar os lucros por acção da construtora alemã podem subir, no melhor dos casos, 28 por cento, mas não é a única que pode ganhar. A segunda maior construtora de aviões na Europa, a Safran, é outra das que pode tirar proveito da subida do dólar face ao euro, uma vez que o JPMorgan acredita que no melhor cenário o lucro por acção pode disparar mais de 33 por cento. Outros dos nomes mais expostos ao dólar são a MTU Aero Engines, a Zodiac, a Rolls-Royce e a Meggitt.
Claro que para isso acontecer é necessário que o dólar ganhe terreno ao euro, algo que os analistas do BNP Paribas estão a prever que aconteça já no terceiro trimestre deste ano e que poderá continuar nos últimos 3 meses de 2008 até a uma taxa de câmbio de 1,45 dólares por cada euro, uma descida de 0,11 dólares no montante que é preciso dar para se obter um euro nesta altura. Nuno Alexandre Silva
 
Descolam com o dólar
Aos contrário dos consumidores, que ganham com o euro forte, as empresas aeronáuticas ganham com a fraqueza
Empresa Impacto no lucro por acção de uma redução de 0,10 no câmbio euro-dólar Bolsa
Safran 33,5% Paris
EADS 27,8% Amesterdão
MTU Aero Engines 19,6% Frankfurt
Rolls-Royce 17,5% Londres
Zodiac 15,2% Paris
Meggitt 6,5% Londres
Fonte: JPMorgan
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Que acções escolher antes da subida dos juros?

Taxas sobemOs economistas não têm muitas dúvidas: o Banco Central Europeu incrementará em Julho a taxa mínima de refinanciamento em 0,25 pontos percentuais, para 4,25 por cento. Aliás, o mercado de derivados já está a contar com isso. Enquanto no início do ano os operadores desse mercado acreditavam que a Euribor a 3 meses alcançasse o valor de 4,28 por cento em Dezembro de 2008, agora os mesmo especialistas fixam a taxa em 5,46 por cento, o que representa um aumento de mais meio ponto percentual até ao final do ano.
A contar com isso, os analistas do JPMorgan apontam algumas sociedades que podem ganhar com o aumento dos juros. Os especialistas procuraram acções de empresas de sectores que ganharam nos últimos aumentos de taxas pelo BCE, que perderam mais de 20 por cento desde o topo do mercado em Julho, que registaram um aumento na recomendação média dos analistas nos últimos 3 meses e cujos rácios de avaliação recuperaram desde o fundo do mercado em Março. David Almas
 
Eleitas para ganhar
Estas são as escolhidas pelo JPMorgan para ganhar com a subida das taxas de juro da Zona Euro
Empresa Preço P/L Bolsa
Pirelli 0,5258€ 21,46 Milão
4,90€ 11,63
9,94€ 6,88
9,92€ 12,16
12,04€ 10,00
4,03€ 14,91
Electrocomponents 1,98€ 10,77 Londres
Adecco 35,33€ 8,77 Zurique
Sulzer 86,85€ 16,77 Zurique
Hays 1,25€ 8,69 Londres
ACS 35,85€ 9,12 Madrid
Davis Service Group 5,98€ 12,89 Londres
Alfa Laval 11,13€ 12,68 Estocolmo
Fonte: JPMorgan. P/L = preço ÷ lucros de 12 meses por acção. 6 de Junho de 2008

 

Domingo, 8 de Junho de 2008

Ases e duques telefónicos

Se na Europa há já mais de 460 milhões de assinantes de telemóvel num universo de 491 milhões de habitantes, em muitos países emergentes as conversas continuam a fazer-se pessoalmente. Brasil, China ou Rússia têm ainda taxas de penetração das empresas telefónicas muito abaixo das dos mercados desenvolvidos. Enquanto que em Portugal há mais de um telemóvel por pessoa na China ainda existe apenas um por cada 3 habitantes e no Brasil, há um telemóvel para cada 2 dos 191 milhões de brasileiros.
O cabaz de compras que reúne empresas de telecomunicações europeias da JPMorgan inclui alguns dos nomes com forte exposição aos mercados fora da Europa, especialmente os emergentes. A casa de investimento norte-americana destaca a espanhola Telefónica como a principal aposta e a holandesa KPN entre as empresas acessíveis aos portugueses.
A Telefónica tem beneficiado da exposição à América Latina, segundo a JPMorgan, em países como o Brasil, a Colômbia e a Argentina, mas o Leste Europeu e a posição na China reforçam ainda mais a aposta na empresa que também tem visto os seus activos na Europa valorizarem-se.
Mais a norte, a KPN deverá ter no mercado nacional o seu maior trunfo, com o controlo dos custos e o cenário macroeconómico da Holanda a jogarem a favor da empresa, mas também poderá tirar partido de mercados externos. O grupo, que se reparte em serviços telefónicos, televisivos e de internet, deverá ser bafejado pelo desempenho da E-Plus na Alemanha, uma das empresas que detém na Europa.
Se estas são 2 das apostas da JPMorgan, que não tem no baralho de compras a portuguesa Portugal Telecom, também há duques para deitar na próxima vasa. A Zon Multimédia e a Telecom Italia são as próximas cartas que deveria despachar, já que, no caso da empresa portuguesa, os analistas consideram difícil crescer no número de clientes depois da resposta forte da Portugal Telecom com o novo serviço de triple play. Nuno Alexandre Silva

Boas e más chamadas
A JP Morgan aposta forte na espanhola Telefónica e não tem na lista de compras a portuguesa Portugal Telecom
Empresa
Potencial de valorização
Bolsa
Recomendação de compra
Telefónica
34%
Madrid
KPN
28%
Amesterdão
Recomendação de venda
Zon Multimédia
1%
Lisboa
Telecom Italia
12%
Milão
Fonte: JPMorgan. Potencial de valorização face ao preço de 29 de Maio de 2008
Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Uma aventura nos céus do mundo

Altos voos. Foto: ChuckumentaryAna Maria Magalhães e Isabel Alçada notabilizaram-se com a criação da colecção de livros “Uma Aventura”, que caminha já para a meia centena de capítulos da saga que tem encantado miúdos e graúdos desde 1982. Mas, nestes 26 anos, depois de 6 milhões de livros vendidos, as autoras ainda não se lembraram de colocar os 5 amigos numa aventura um bocado mais aérea...
Como se sabe, há coisas que a vida real se encarrega de superar a própria ficção. É o caso do actual cenário do sector da aviação europeia. Das 50 companhias aéreas existentes no Velho Continente (19 das quais são cotadas na bolsa), poderão apenas restar 5 transportadoras dentro de alguns anos. Quem o diz é o presidente da subsidiária alemã da easyJet, em resposta às notícias hoje publicadas que dão conta dos sinais de alarme lançados pela Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA). John Kohlsaat acredita que o elevado preço do petróleo vai levar a uma “onda de falências” no sector aéreo e que só há 5 magníficas capazes de resistir ao autêntico tsunami provocado pelo ouro negro. São elas a British Airways, a Air France-KLM, a Lufthansa, a Ryanair e a própria easyJet.
Uma vez que a IATA acabou de rever (e de que maneira) em baixa as suas previsões financeiras para o sector, aguardando que o conjunto das transportadoras aéreas mundiais registe um prejuízo próximo dos 1,5 mil milhões de euros em 2008 – contra a anterior estimativa que apontava para lucros a rondarem os 3 mil milhões de euros –, os avisos são para serem levados muito a sério. Aliás, se o preço médio do brent rondar os 135 dólares (cerca de 87 euros) até Dezembro, as perdas podem ascender aos 4 mil milhões de euros.
Se é daqueles que acha que nunca mais ninguém vai conseguir domesticar o preço do petróleo, saiba quais são as expectativas dos analistas para as 5 acções que poderão voar por cima da tempestade. Diogo Nunes

Ases pelos ares
Caso se confirmem as piores previsões, o que não é difícil já que os contratos futuros do brent para Dezembro têm sido negociados na ordem dos 130 dólares por barril, dentro de pouco tempo estas serão as únicas transportadoras europeias com direito a “pisar” os céus! 
Companhia Preço actual Potencial de valorização Recomendação média Bolsa
Ryanair Holdings 16,31€ 52,59% Manter Nasdaq
Air France-KLM 16,59€ 32,61% Manter Paris
easyJet 3,61€ 25,98% Comprar Londres
Lufthansa 16,25€ 20,30% Comprar Frankfurt
British Airways 2,89€ 2,73% Vender Londres
Fonte: Bloomberg. Valores ajustados em euros. Potencial de valorização face ao preço-alvo médio atribuído pelos analistas que acompanham a acção. Recomendação média dos analistas que acompanham acção. 2 de Junho de 2008
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Crianças: poupanças que crescem como eles

Chupa-chupa. Foto: redtinselSe está a pensar fazer uma conta de poupança para o seu rebento, esqueça. Estas contas até dão uns presentes giros no acto da abertura e algumas até oferecem seguros, mas as taxas de rendibilidade oferecidas são sempre inferiores à taxa de inflação e por isso incapazes de proporcionar a manutenção – pelo menos – do poder de compra da criança. O segredo para assegurar um fundo maneio que permita ao seu rebento tirar o curso que sempre quis no estrangeiro ou aliviar os pais da despesa com a viagem de finalistas está nas acções. Medo? É verdade que são activos arriscados, mas são também os mais rentáveis no longo prazo. De acordo com os dados compilados por Jeremy Siegel, professor na Wharton School da Universidade da Pensilvânia e autor de livros como “Stocks for the Long Run” e “The Future for Investors”, entre 1802 e 1998, as acções renderam em média 7 por cento. Não acredita? Dê uma vista de olhos às rendibilidades dos fundos nacionais de acções mais antigos. O Santander Acções Portugal e o BPI Europa Valor, 2 fundos nacionais de acções com 15 e 17 anos, respectivamente, renderam 9,6 e 14 por cento por ano. Isto, sim, é poupança que cresce com os miúdos.
A estratégia a adoptar ao investir para garantir o futuro financeiro dos filhos deve ser semelhante à adoptada para assegurar a reforma dos pais. Deve-se começar o mais cedo possível, para poder arriscar e obter a maior taxa de rendibilidade possível e investir de forma regular e disciplinada. Começar cedo significa menor esforço. Por exemplo, para amealhar 25 mil euros em 18 anos, basta investir mensalmente 59,4 euros num produto que renda anualmente 7 por cento. Porém, se o tempo do investimento se reduzir para 10 anos, o esforço mensal aumenta para 146,2 euros. Isto mantendo-se as condições do produto financeiro. Esta diferença deve-se a um fenómeno que Albert Einstein chamou “o milagre da capitalização”, um produto do tempo e da taxa de rendibilidade a que os pais não podem ficar alheios. Depois é só fazer a gestão do risco do investimento: enquanto faltar mais de 10 anos para usar a poupanças dos miúdos aplique-as em fundos de acções e assim que entrar na última década passe o capital aplicado nestes para um fundo de obrigações a um ritmo anual de 10 por cento. Desta forma expõe-se às acções e gere o risco da aplicação à medida que o prazo se aproxima. Joaquim Madrinha
 
Ricos mealheiros
Não se assuste com as rendibilidades de curto prazo. Segundo o seu desempenho histórico, estes fundos podem ajudar os pais a assegurar o futuro financeiro dos filhos 
Produto
Rendibilidade
12 meses
Risco
Onde comprar
Fundos de acções
BPI Reestruturações
-5,46%
Médio alto
ActivoBank7, Banco Best, Banco BPI, BPI
Santander Acções Portugal
-14,60%
Alto
ActivoBank7, Banco Best, Banco Big, Santander Totta
Fundos de obrigações
BPI Euro Taxa Fixa
5,52%
Médio baixo
ActivoBank7, Banco Best, Banco BPI, BPI
Espírito Santo Obrigações Europa
3,78%
Baixo
Banco Best, Banco Espírito Santo
 Fonte: APFIPP. Rendibilidade em euros líquida de impostos. 9 de Maio de 2008
Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Buffett às compras na Europa em dia de aniversário

Warren Buffet. Foto: trackrecordA Europa está de parabéns. Por todos os 27 estados-membros da União Europeia celebra-se hoje o dia da Europa, por ter sido a 9 de Maio de 1950 que Robert Schuman, o então ministro dos Negócios Estrangeiros francês, deu o primeiro passo no processo de integração e unificação europeia.
De pedra e cal está também o euro: desde que entrou em circulação, a 1 de Janeiro de 2002, a moeda única já valorizou 74 por cento face à moeda norte-americana, sendo, actualmente, preciso despender 1,54 dólares por apenas uma unidade da moeda europeia. "Para minha surpresa, a transição de 11 moedas diferentes para o euro processou-se com notável suavidade", escreveu Alan Greenspan no prefácio do livro "A Era da Turbulência". Também Warren Buffett, o lendário oráculo de Omaha, tem olhado para a Europa com bastante interesse.
No início do mês, durante o encontro anual de accionistas da Berkshire Hathaway, o superinvestidor afirmou que está interessado em expandir a presença da sua empresa no Velho Continente: "Não estamos expostos à Europa como gostaríamos de estar." Para isso, Buffett planeia viajar nas próximas semanas até à Alemanha, França, Reino Unido e Itália para aumentar o reconhecimento da Berkshire Hathaway deste lado do Atlântico. "Estamos contentes por vir a investir em negócios que geram receitas em euros ou em companhias que fazem depender os seus lucros do mercado alemão e do mercado britânico, porque não sinto que essas moedas possam registar uma forte depreciação face ao dólar." Na calha poderá estar um dos 15 principais candidatos a serem alvo de uma oferta pública de aquisição, segundo as estimativas dos analistas do Exane BNP Paribas. Porém, Charlie Munger, vice-presidente da Berkshire Hathaway e parceiro de Buffett desde sempre, foi mais longe e revelou que os alvos poderão ser empresas familiares germânicas que actuem no sector da engenharia: "A Alemanha é um país particularmente avançado em engenharia e, por isso, é bastante lógico que possa ser um dos nossos locais preferidos." A filosofia de investimento de Buffett parece estar a centrar-se numa só regra: evitar ao máximo o investimento em dólares que tem sido fortemente penalizado pelas políticas e pelo modo de vida da população americana. E, como resposta a este negativismo do lado de lá do Oceano, aparecem as empresas europeias que brilham com grande intensidade nos investimentos futuros da Berkshire Hathaway. Luís Leitão
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Poucos lucros olímpicos

Logo Pequim 2008Mesmo com a delicada questão do Tibete a atrapalhar a marcha da tocha olímpica no seu longo percurso até Pequim, os Jogos Olímpicos deste Verão vão mesmo acontecer. Porém, os investidores que procuraram antecipar a maior manifestação desportiva mundial, comprando títulos das empresas que, supostamente, seriam as maiores beneficiadas com o evento, andam por esta altura a fazer contas à vida. Como reza a agência Bloomberg, as 23 empresas seleccionadas há um ano e meio pela Macquarie Group tendo como lógica que os resultados dariam um pulo com as Olimpíadas, estão a recuar em 2008 mais de 20 por cento, ao passo que o Hang Seng Entreprises Index, índice de referência, desce uns mais modestos 12 por cento.
Claro que não se pode esquecer que as "acções olímpicas" cresceram 69 por cento em 2007, acima dos 56 por cento acumulados pelo índice de referência, ou seja, o balão dos ganhos encheu até rebentar. Mark Mobius, gestor de fundos da Franklin Templeton, considera que "as empresas que estão relacionadas com os Jogos Olímpicos subiram apenas com base no evento, sem terem fundamentais sólidos", acrescentando que não adquiriu nenhum destes títulos porque "os preços subiram muito rápido e muito alto".
Algumas das empresas que compõem o cesto olímpico são a Air China, Beijing Capital International Airport e Beijing North Star e, apesar da hecatombe dos primeiros meses de 2008, Tim Rock, o estrategista da Macquarie em Hong-Kong que foi o responsável pela criação do cabaz das acções olímpicas, acredita que os títulos vão recuperar. "Os papéis dos sectores turístico e imobiliário, que vão beneficiar da procura dos Jogos Olímpicos, vão ter um comportamento melhor do que a maioria do mercado chinês, quando melhorarem as dinâmicas gerais."
As Olimpíadas mais polémicas das últimas décadas até podem abrir boas oportunidades de negócio (quem acreditasse no cesto olímpico divulgado no final de 2006 tinha ganho quase 70 por cento em apenas 12 meses), contudo, quem só entrasse neste "jogo" um ano depois estaria por esta altura a perder mais de 20 por cento em pouco mais de 4 meses.
Finalmente, quem tiver fé no reacender da chama olímpica, pode até aproveitar os fortes recuos deste ano para entrar nos títulos imediatamente e, quem sabe, chegar ao final do certame que termina a 24 de Agosto com uma medalha de ouro ao pescoço! Diogo Nunes
Terça-feira, 6 de Maio de 2008

EDP na mira de aquisição

Papa-EPDA EDP – Energias de Portugal é um dos 15 principais candidatos europeus a serem alvo de uma oferta pública de aquisição, segundo as estimativas dos analistas do Exane BNP Paribas. No estudo enviado para clientes no dia 2 de Maio, os especialistas não referem quem tem cerca de 18 mil milhões de euros para retirar a maior cotada portuguesa da bolsa. Contudo, o Exane estima que uma OPA poderia ser lançada a um preço de 5 euros por acção, mais 22 por cento do que a cotação registada às 13 horas de hoje.
Além da EDP, os analistas do banco de investimento francês Exane nomeiam outros 14 candidatos a serem alvo de OPA. Em média, o potencial de valorização face ao preço-alvo indicado é de cerca de 22 por cento.
Depois de ter apresentado os resultados do primeiro trimestre de 2008 da unidade de energia renováveis, a EDP irá apresentar os resultados do grupo no próximo dia 8 depois do fecho do mercado lisboeta. Entre os maiores accionistas da EDP encontra-se a Parpública, a espanhola Iberdrola, a CajAstur, a Caixa Geral de Depósitos, o grupo José de Mello, o Banco Comercial Português, a gestora de fundos suíça Pictet, o Banco Espírito Santo, a argelina Sonantrach e a International Petroleum Investment Company, a sociedade de investimento de Abu Dhabi. David Almas

Candidatos a alvo de OPA
A lista publicada pelo Exane BNP Paribas
Empresa Preço-alvo Potencial de valorização Bolsa
Aegis 145p 12% Londres
Anglo American 3800p 11% Londres
Austrian Airlines 4€ 6% Austria
EDP 5€ 22% Lisboa
Euler Hermes 90€ 18% Paris
Iliad 80€ 17% Paris
Ipsos 27€ 20% Paris
KPN 15€ 28% Amesterdão
Legrand 20€ 5% Paris
Lonmin 3000p -6% Londres
London Stock Exchange 1850p 75% Londres
Rémy Cointreau 38€ -8% Paris
Rentokil Initial 75p 21% Londres
TeliaSonera 58SEK 10% Estocolmo
Yell 330p 98% Londres
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

7 acções de guru

Se hoje Warren Buffett é o mais rico homem do mundo, Benjamin Graham, o seu professor, tem uma boa parte da responsabilidade nos mais de 39 mil milhões de euros que se estima que componham a riqueza pessoal do famoso investidor.
Graham, que faleceu nos anos 70, ainda antes de ver a longa carreira de lucros de Buffett, destacou-se pela sua estratégia de investimento para encontrar boas empresas mesmo em momentos complicados nos mercados financeiros. Empresas que registem um aumento de vendas constante ao longo dos anos, que paguem dividendos e apresentem um crescimento dos lucros sustentável nos últimos 10 anos fazem parte dos critérios que hoje são rotulados ao guru norte-americano. O banco de investimento JPMorgan usou a metodologia deste superinvestidor para seleccionar as acções europeias que Graham escolheria hoje com o seu método e encontrou empresas como as britânicas BP e Barratt Development e as francesas Axa e Vallourec.
Num período conturbado no sector da habitação nos EUA e com a nuvem que paira sobre o mercado de habitação no Reino Unido, é curioso existirem várias empresas de construção residencial na lista de compras possíveis de Graham, elaborada pelo banco de investimento. Nuno Alexandre Silva

As empresas de Graham
Na Europa existem empresas que preenchem as medidas do homem que influenciou a vida dos superinvestidores Warren Buffett e Irving Kahn
Empresas
P/L Taxa de dividendo
Sector
Bolsa
Aegon
7,46 6,13%
Seguros
Axa
8,80 5,34%
Seguros
Barratt Development
2,87 12,47%
Construção residencial
BP
10,40 3,94%
Petrolífero
Randstad
7,90 4,78%
Recursos Humanos
Persimmon
2,86 8,62
Construção residencial
Vallourec
9,5 3,95%
Maquinaria
Fonte: Bloomberg. P/L = preço ÷ lucros de 12 meses por acção. Taxa de dividendo = dividendos de 12 meses ÷ preço. 24 de Abril de 2008.

Pesquisa Carteira

Arquivos

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

tags

todas as tags