Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

4 perguntas que deve fazer quando investe

Imagine que decidiu que está na hora de confiar na sua intuição e utilizar a liquidez que tem andado a poupar para entrar na roda-viva dos mercados financeiros. Seja através de acções, fundos de investimentos, fundos cotados, planos poupança-reforma ou os demais produtos que o seu gestor de conta lhe aconselha há algumas perguntas que deve anotar para não se esquecer de fazer a si próprio e aos responsáveis pelos produtos financeiros que são candidatos à sua carteira.
 
1. Qual a rendibilidade histórica e em vários prazos temporais?
O seu gestor de conta telefona-lhe a dizer que tem um fundo de investimento maravilhoso que no último ano atingiu uma rendibilidade de 20 por cento. Fantástico, pensará você já a fazer contas na sua multiplicadora mental. Contudo, com um valor de dois dígitos no curto prazo ficará a saber muito pouco sobre a gestão histórica do fundo, senão repare nos exemplos de 2 fundos de acções norte-americanas no final do ano passado. O fundo American Express Focused US Growth Equities foi em 2007 o terceiro melhor fundo da sua classe com um retorno de 10,24 por cento enquanto que o DB Platinum IV US Growth R2C perdeu 1,45 por cento e ficou relegado para uma posição mediana entre os mais de 100 fundos desta classe. Se não ligasse à rendibilidade histórica poder-lhe-ia escapar um factor determinante para a sua decisão de investimento no mercado norte-americano, o facto de em 5 anos o fundo da American Express ter uma rendibilidade anual de 3,17 por cento, muito abaixo da rendibilidade de 8 por cento do fundo gerido pelo Deustche Bank de menor risco.

2. Como é que o investimento se comporta face a produtos alternativos?
Não é por tropeçar num produto que ele passa a ser a melhor coisa do mundo. Para perceber se vai tirar o melhor proveito do seu dinheiro tem de comparar diferentes investimentos alternativos. Por exemplo, a rendibilidade do fundo que faz parte dos seus planos com o desempenho da restante classe a que pertence e com os índices que representam a região e o sector onde se insere, ou as suas aplicações num fundo de tesouraria com uma opção sem risco como depósitos a prazo ou certificados de aforro. Para quem pensa na reforma, se lhe oferecem um plano poupança-reforma tem de fazer algumas contas para perceber se a carga fiscal e as deduções no IRS compensam um compromisso até a idade de reforma com uma forte penalização de resgate em vez de um fundo de acções que, apesar de não lhe baixar os impostos sobre o rendimento, lhe pode oferecer um melhor desempenho. A título de exemplo, o PPR que deu mais retorno em 2007, o BPI Reforma Acções (8,82 por cento) ficou aquém de todos os 7 fundos de acções nacionais.

3. Quais são os custos associados no investimento financeiro?
O marketing e a comunicação dos intermediários financeiros sabem que a sua emoção pode levá-lo a deixar de lado uma reflexão mais pausada. Números grandes e frases apelativas que realcem a segurança e a multiplicação para o seu dinheiro estão um pouco por todo o lado, mas convém esclarecer o que vai ter de descontar aos lucros do seu investimento. Para começar, há produtos que têm custos de subscrição, outros têm associados custos de gestão e muitos ainda cobram no momento de resgate do dinheiro investido. Todos juntos podem levar a rendibilidade a níveis que não conseguem sequer cobrir a inflação. Na revista Carteira de Junho de 2008, o leitor pode perceber que uma simulação do seguro de capitalização como o Poupança Dinâmica Global, que aponta para uma rendibilidade mínima garantida de 4,25 por cento em 20 anos, acaba por não dar ao contraente mais de 2,58 por cento por ano devido aos 3 por cento de comissão de gestão. E não vai querer ouvir falar de inflação, pois não.
Se é mais afoito e acredita que momentos de queda são bons para comprar acções, então conte com as comissões de bolsa, de guarda de títulos e sobre distribuição de dividendos que as corretoras e os bancos cobram. Investir pouco dinheiro pode dar apenas para pagar ao intermediário.

4. Quanto vou pagar de impostos?
Se estes são os custos associados a quem lhe forneceu o investimento, o Estado terá ainda uma palavra a dizer nos seus lucros. Os fundos de investimento estrangeiros são tributados em 20 por cento no momento de resgate. Os fundos cotados, os famosos ETF, são alvo de uma taxa de 10 por cento e a venda de acções só paga impostos, 10 por cento, se for realizada menos de um ano depois de as comprar. Nas acções pagará ainda 20 por cento sobre os dividendos recebidos e a diferença entre os corretores pode ser gritante. No Millennium bcp, um utilizador da plataforma de bolsa paga 7 euros de custódia de títulos e 2,5 por cento do que recebe de dividendos ao passo que na plataforma Best Trading Pro essas comissões são nulas.
Faça bem as contas ao investimento que quer fazer e acrescente os custos à equação de investimento.  Nuno Alexandre Silva
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

A sustentável leveza dos fundos

Leve como uma pena. Foto: Grant MacDonaldSe os homens que lideram os países mais industrializados do mundo – e mais poluidores – estão empenhados em reduzir as emissões poluentes em 50 por cento até 2050, há muitos cidadãos comuns que já se preocupam com o impacte das suas acções na natureza. Se para si os investimentos se devem fazer respeitando o ambiente e preservando a sustentabilidade do planeta, há fundos de investimento que se ajustam a si, pelo menos na atitude. O que os gestores das casas de investimento destes fundos fazem é escolher as empresas com melhores práticas do ponto de vista económico, ambiental e ecológico, mas ser “verde” e preocupar-se com a natureza pode ficar apenas por um sentimento nobre. A recompensa pelo seu altruísmo resume-se a rendibilidades muito baixas em quase todos os fundos da classe que se vendem em Portugal. Dos 8 fundos com mais de 5 anos, só 3 têm retornos acima de 3 por cento por ano e alguns, como o JPMorgan Global Socially Responsible, cotado em dólares, tiveram mesmo resultados negativos.
Só um dos vários fundos da gestora Pictet nesta categoria conseguiu oferecer aos investidores mais preocupados na bolsa uma rendibilidade líquida acima de 5 por cento nos últimos 5 anos, mas este é uma das excepções que confirma a regra dos maus resultados que, por exemplo, afundaram todos os fundos socialmente responsáveis lançados em 2006.
Empresas como a seguradora Allianz, a Siemens e a Ericsson integram as escolhas dos gestores do fundo com maior retorno, o Pictet European Sustainable Equities, que é composto ainda por acções como as da suíça Nestlé e da espanhola Telefónica. No segundo fundo mais amigo da carteira e dos nervos dos investidores, o European Responsible Consumer Balanced, gerido pela ESAF, as maiores posições são de obrigações do Estado francês, mas as acções da seguradora Axa e da finlandesa Nokia são algumas das apostas do leque de mais de 30 empresas socialmente preocupadas no fundo. Nuno Alexandre Silva
 
Fundos socialmente aceitáveis
Se não quiser esperar pelos líderes dos países que mais contribuem para o efeito de estufa para se preocupar com o ambiente há poucos fundos “verdes” apetecíveis
Fundo
Rendibilidade*
5 anos
Risco
Comercialização
Pictet European Sustainable Equities
5,12%
Alto
Banco Best, Banco Big
European Responsible Consumer Balanced
4,03%
Médio
Banco Best
DWS Invest Responsability LC
3,22%
Médio alto
Deutsche Bank
Fonte: Bloomberg. *Rendibilidade anualizada em euros. 10 de Julho de 2008

 

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Fundos geridos por equipas têm custos mais baixos

Yufeng Han. Foto: ArturNa indústria dos fundos de investimento há uma panóplia quase infindável de diferentes produtos, mas se resumirmos o foco da análise em termos da gestão, só temos duas categorias: os fundos que são geridos individualmente e os fundos geridos por equipas. E qual dos dois conseguirá obter os melhores resultados? Para responder à questão, a Carteira entrevistou Yufeng Han, investigador da Tulane University, nos Estados Unidos da América, à margem da conferência “Nova Annual Finance Conference”, promovida pela ISCTE Business School. “A tendência é para existirem mais fundos geridos colectivamente, mas as conclusões demonstram que estes não rendem mais do que os fundos geridos individualmente”, explica o responsável de ascendência asiática.
Em termos quantitativos, diga-se que o marketing dos fundos de investimento tende a enfatizar a gestão por equipa em vez de destacar um só gestor, já que se verifica que os fundos geridos por equipas tendem a atrair mais clientes do que os fundos geridos por um único profissional. Mas em termos qualitativos, os resultados indicam não haver diferenças no desempenho entre as duas estruturas de gestão. Ainda assim, há características distintas a apontar: “Os fundos geridos por equipas são menos voláteis e apresentam custos mais baixos”, refere Yufeng Han, acrescentando que os mesmos “têm transacções mais genéricas, carteiras mais diversificadas, com maior peso nas empresas de maior capitalização e em acções 'momentum'”.
Já os fundos geridos individualmente mostram uma apetência especial por investimentos mais flexíveis e mais excêntricos, ao passo que nos fundos colectivos “é mais difícil sacar performance individual do gestores”, explica o investigador. Daí, acaba por ser natural que as estruturas de gestão individual sejam mais atractivas para os gestores mais seniores e com melhores capacidades, enquanto que os colectivos beneficiam da força da estrutura e, graças ao trabalho em equipa, conseguem igualar o desempenho dos individuais.
Ora, se levarmos em linha de conta as características principais dos fundos geridos por equipas, que são menos voláteis, apresentam uma estruturas de custos mais baixa e obtêm um desempenho semelhante ao fundos geridos por apenas um profissional, vulgo one man show, não há dúvidas que quando chegar a hora de meter o seu dinheiro a render num qualquer fundo de investimento, deve averiguar primeiro quais são as mãos que lhe vão mexer. E quanto mais forem, em princípio, melhor! Diogo Nunes
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Gestores de fundos de investimento às cegas

Às cegas. Foto: sparkiegNo mínimo preocupante é como se pode classificar a conclusão de um recente estudo desenvolvido pela KPMG sobre a gestão dos fundos de investimento geridos na América do Norte, Europa Ocidental e na região da Ásia do Pacífico.
Segundo a empresa de auditoria e consultoria, 40 por cento dos profissionais que gerem os mais prestigiados fundos de investimento à venda no mercado revelaram que compraram produtos para os quais não têm qualquer estrutura de avaliação dos seus riscos. Sobretudo quando se trata do investimento em produtos complexos. Se 39 por cento dos gestores entrevistados pela KPMG revelaram que nos próximos 2 anos pretendem aumentar a exposição do portefólio dos fundos que gerem a produtos derivados, o estudo também concluiu que 20 por cento destes profissionais não têm na sua equipa qualquer especialista com experiência relevante na avaliação de produtos derivados nem em produtos estruturados, e apenas 42 por cento dos gestores revela que é capaz de quantificar completamente a exposição da sua carteira a estes instrumentos financeiros. Analisando estes números verifica-se que grande parte dos gestores de fundos de investimento andaram a comprar produtos que não percebiam. A razão deste facto prende-se por "as equipas de gestão dos fundos de investimento, em certa medida, não terem conseguido acompanhar o crescimento da sofisticação da indústria", conclui o estudo. O bom de tudo isto é que, segundo o relatório da KPMG, a explosão da crise do crédito de alto risco nos EUA veio reduzir o apetite da maioria dos investidores em produtos complexos.
Se o senso comum diz que quando não se sabe o melhor é deixar o assunto com os profissionais, talvez seja preferível pensar duas vezes antes de colocar o seu dinheiro nas mãos dos "especialistas". Para evitar ser apanhado de surpresa comece por ler com atenção o prospecto do fundo que pretende subscrever. Neste documento irá encontrar toda a informação sobre a sua política de investimento. Além disso, não descure de recolher informação sobre o passado do profissional que vai gerir o seu dinheiro.
Se então ficar convencido da qualidade do fundo e da equipa de gestão, compre algumas unidades de participação. Mas com isto não significa que a sua tarefa acaba aqui. Não deixe de acompanhar a evolução do fundo e vá consultando trimestralmente o seu prospecto para tomar conhecimento se houve alguma alteração nos príncipios da gestão. Se por algum motivo, por exemplo, a estratégia de investimento do fundo mudar ou o próprio gestor seja substituído, talvez seja boa altura para ponderar a venda das unidades de subscrição. Luís Leitão
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Concentrado de gurus

Skandia gurusQuem anda perdido no mar de fundos de investimento em acções disponíveis nos supermercados de fundos pode ter no Skandia European Best Ideias uma boa solução para chegar a bom porto. O segredo está no modelo de gestão adoptado pela Skandia Global Funds: em vez de um, o fundo é gerido por 10 gestores de prestígio internacional, cada um responsável pela inclusão de 10 acções no seu portefólio. Entre eles está o famoso gestor britânico de “hedge funds” Crispin Odey e os “quânticos” Tobias Klein, do First Private, e Terry Burnham, da sociedade gestora norte-americana Acadian.
A estratégia do Skandia European Best Ideas basea-se no facto do top 10 de títulos com melhor desempenho do índice MSCI Europe superar a performance do índice, independentemente da sua tendência. Por exemplo, de Abril de 2005 ao mesmo mês de 2006, enquanto o índice accionista valorizou 37 por cento, as 10 acções com melhor desempenho renderam em média 332 por cento e, no ano que findou em Março de 2003, quando o MSCI Europe resvalou 33 por cento, a rendibilidade média do top 10 foi de 86 por cento. Ou seja, através das melhores ideias de investimento dos 10 gestores convidados, o mais recente fundo da Skandia Global Funds promete ganhar em qualquer tendência de mercado. Ou, pelo menos, bater o índice de referência como tem acontecido ao Skandia Global Best Ideas Fund, lançado a 13 de Junho de 2006 e que desde então perdeu 0,74 por cento contra os -3,66 por cento registados pelo índice accionista FTSE Global.
Como o nome indica, trata-se de um fundo de acções europeias. No entanto, os gurus podem optar por fazer até 25 por cento das suas escolhas fora do índice MSCI Europe. O fundo está disponível no ActivoBank7 e no Banco Best e bastam 1000 euros para entrar neste concentrado de ideias de investimento. Joaquim Madrinha

 

Tudo boas ideias
É o que se espera dos gurus eleitos pela Skandia Global Funds. Entretanto, fique a conheçer o trabalho deles
Gestora
Sociedade
Especialidade
Tobias Klein
Modelos quantitativos de escolha de acções
James Buckley
Acções europeias de grande capitalização de crescimento. Gestor do Baring European Growth
Didier Le Menestrel
Escolha selectiva de acções. Gestor do fundo Agressor
Roger Guy
Gestor de "hedge funds". Gestor do fundo Gartmore European Selected Oportunities
James Inglis-Jones
Criador do modelo "Cash-Flow Solution", que escolhe acções de acordo com os seus fluxos de caixa futuros
Crispin Odey
Uma lenda na indústria devido aos resultados obtidos com "hedge funds"
Hugh Cuthbert
Acções europeias de grande capitalização
Barry Norris
Argonaut
Melhor gestor de acções europeias excluído Reino Unido em 2007, segundo a Citywire
Terry Burnham
Modelos quantitativos de escolha de acções. Autor do livro "Mean Markets and Lizard Brains"
Dirk Enderlein
Allianz
Acções europeias de grande capitalização
Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

BPI contra BPI: Quem ganha é o investidor

Os clientes mais atentos do ActivoBank7 e do Banco Best já devem ter notado que a oferta de fundos cresceu há poucos dias: agora têm produtos de 2 sociedades gestoras do grupo Banco BPI. Depois da BPI Gestão de Activos, a BPI Global Investment Fund, uma sociedade luxemburguesa, propõe 6 novos fundos. Embora sejam novos, 4 deles estão longe de serem novidade, uma vez que são réplicas de produtos da BPI Gestão de Activos. Confuso? É simples: o BPI Reestruturações, registado em Portugal, e o BPI Opportunities, de direito luxemburguês, são geridos paralelamente. O mesmo acontece com o BPI Europa Valor e o BPI Europa (Lux.), com o BPI Obrigações de Alto Rendimento Alto Risco e com o BPI Universal (que tem o mesmo nome nos 2 países).
 
Como escolher
Se são iguais como decidir entre eles? Tudo depende da fiscalidade. Nos fundos de acções dirija-se para os produtos nacionais, mas nos fundos de obrigações e nos fundos de fundos é sempre melhor optar pelos instrumentos luxemburgueses. "A tributação nacional muito favorável ao mercado de acções dificilmente é superável pelo efeito capitalização", explica Marta Coelho, gestora de clientes institucionais do Banco Português de Investimento. "Um fundo doméstico de acções no máximo paga 10 por cento sobre as mais-valias. O fundo estrangeiro paga sempre no resgate 20 por cento sobre o lucro bruto obtido", acrescenta.
Há mais 2 factores que podem interessar: os fundos portugueses têm comissão de resgate e os fundos estrangeiros têm comissão de desempenho. Contudo, se é um investidor de longo prazo, isso é menos importante que a fiscalidade.
A BPI Global Investment Fund propõe mais 2 fundos que não têm equivalentes em Portugal: o BPI Iberia, que investe em acções nacionais e espanholas, e o BPI Global Tactic Asset Allocation, um fundo quantitativo (não depende da subjectividade de gestores) que pretende ganhar mais que a Euribor (embora não tenha conseguido desde que foi lançado em Abril de 2007). David Almas
 
Sósias
Se tiver de escolher, opte pelos que estão a negrito
BPI Global Investment Fund
 
BPI Gestão de Activos
 
Rendibilidade
 
 
Rendibilidade
 
1 ano
5 anos
 
 
1 ano
5 anos
BPI Europa (Lux.)
-27,95%
6,65%
vs.
-26,38%
8,19%
BPI Opportunities
 -13,63%
 –
vs.
-11,66%
11,42%
BPI Universal
 0,13%
vs.
-6,55%
7,56%
BPI High Income Bond
-6,41%
vs.
-8,39%
3,45%
Fonte: Bloomberg, BPI Gestão de Activos. Rendibilidade anualizada. 25 de Junho de 2008

 

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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Replique a bolsa à portuguesa

Sardinhas do PSI 20. Foto: stijn/CarteiraA queda do mercado está a ser dolorosa? Preferia investir e esquecer durante alguns meses ou anos? Se está interessado apenas na bolsa de Lisboa, agora já pode fazê-lo. A Northern Trust, uma gestora de activos de Chicago, adicionou o índice PSI 20, que reúne as maiores sociedades cotadas lisboetas, ao seu grupo de fundos cotados Nets, que replicam os principais índices mundiais. Assim, através de uma única operação de bolsa, ao adquirir o Nets PSI 20 Index Fund (Portugal) na bolsa de Nova Iorque, ganha a exposição aos 20 principais títulos alfacinhas, em particular à EDP, PT, BCP e Galp Energia (que pesam mais de 10 por cento cada um).
Antes de avançar é preciso ter atenção a 2 coisas: é preciso pagar comissões de bolsa ao seu intermediário financeiro (ao contrário dos fundos de investimento tradicionais) e é preciso um cuidado muito especial nas operações, porque o volume diário de negócios é muito reduzido. Se calhar é melhor esperar pelo fundo do PSI 20 que será cotado em Lisboa, segundo declarações do presidente da Euronext Lisboa, Miguel Athayde Marques, e que deverá ter bastante mais sucesso. David Almas
Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Taxa de juro: de inimigo a aliado

Jean-Claude Trichet. Foto: Bloomberg NewsNum país em que o endividamento é a parte fraca das finanças familiares, é natural que o aumento da taxa de juro de referência da Zona Euro seja visto como um drama. No entanto, a subida do preço do dinheiro também pode ser uma oportunidade para ganhar dinheiro. É esta a proposta que fazem 2 fundos cotados da gama x-trackers do Deutsche Bank: capitalizar as poupanças à taxa Eonia, que resulta da média ponderada de todas as operações de concessão de crédito efectuadas por 43 bancos europeus no mercado diário; ou à homóloga norte-americana. Dada a conjuntura, é uma ideia interessante. Com os elevados preços das matérias-primas agrícolas e energéticas a semear inflação pelo mundo, a única solução das autoridades monetárias para conter a subida dos preços é aumentar a taxa de juro.
Segundo o jornal The Washington Post, o presidente da Fed, Ben Bernanke, "não tem planos" para subir as taxas de juro, o que dado o nível actual da taxa de juro norte-americana, 2 por cento, e o risco cambial, tornam o investimento no db x-tracker Fed Funds Effective Rate menos apetecível. Porém, em relação à Zona Euro, o cenário é bem diferente. Primeiro, o BCE tem como meta manter a inflação controlada nos 2 por cento e esta atingiu em Maio o valor mais elevado desde 1992 (3,7 por cento). Segundo, porque Jean-Claude Trichet ameaçou tomar medidas já na reunião de 3 de Julho. Aliás, para Rainer Guntermann, economista do Dresdner Kleinwort, "não ficaríamos surpreendidos se o BCE subisse a taxa de juro para 4,5 por cento até ao final do ano". Actualmente, a taxa de referência está nos 4 por cento, mas os contratos de futuro sobre a Euribor a 3 meses para entrega em Junho de 2009 dizem que este indexante deverá cotar nos 5,20 por cento dentro de 1 ano, o que torna o db x-trackers Eonia Total Return Index, que ganhou 3,29 por cento no último ano, num aliado para ganhar com a anunciada subida do preço do dinheiro na Zona Euro. Joaquim Madrinha
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Paris celebra 20 anos de ganhos

A bandeira francesa. Foto: Cyril PlapiedO ilustre CAC 40, índice de referência da bolsa francesa, está hoje de parabéns! Lançado há 2 décadas, em plena transição dos sistemas bolsistas para a negociação electrónica, desde cedo afirmou-se enquanto um marco incontornável ao nível das principais praças accionistas mundiais. E não tem desiludido os investidores que nele apostam. Desde 1988, a sua capitalização bolsista multiplicou-se por 18, enquanto o volume diário de negociação aumentou 42 vezes. Os retornos anuais do índice também não desapontam, já que acumulou uma média anual de 12,11 por cento desde o lançamento e de 14,37 por cento nos últimos 5 anos.
A título de curiosidade refira-se que as 40 empresas que compõem o CAC representam 20 por cento do total da capitalização bolsista da Zona Euro e 12 por cento de toda a Europa. Depois, não deixa de ser relevante o facto de o índice de referência francês ser o segundo índice do mundo mais utilizado em termos de gestão passiva, logo atrás do mundialmente famoso Standard & Poor's 500. As posições que reflectem o comportamento do CAC 40 ultrapassam os 40 mil milhões de euros. Os primeiros futuros sobre o índice da cidade-luz foram lançados logo no ano da estreia do mesmo e, desde então, quer os volumes quer as posições abertas multiplicaram-se por 20. No ano passado, a negociação diária destes contratos alcançou os 10 mil milhões de euros.
O primeiro fundo cotado que replica o andamento do CAC 40 foi lançado em Janeiro de 2001 e, actualmente, já são 11 os produtos deste género oferecidos por cinco emitentes, um dos quais norte-americano. Conheça os melhores (em termos de custos associados e de rendibilidades acumuladas). Bonne chance! Diogo Nunes

3 atalhos para a cidade-luz
Entre os 11 fundos cotados que seguem o desempenho do principal índice francês, a Carteira sugere-lhe a seguinte composição para preencher os lugares do pódio. Não se assuste com a fraca performance no último ano, já que o CAC 40 não caiu sozinho!
Fundo
Rendibilidade*
1 ano
5 anos
-14,61%
 5,22%
-14,88%
 5,16%
-15,14%
 5,17%
Fonte: Bloomberg. *Rendibilidades anualizadas líquidas de impostos. 16 de Junho de 2008
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Ganhe 15% no outro lado do mundo

Templo Borobudur. Foto: M3RAté há pouco tempo a Indonésia era um dos poucos países do mundo que quando era referenciado por algum motivo dava ao povo luso uma especial agonia. Afinal, a ocupação de Timor Leste era mais do que suficiente para criar um clima de hostilidade generalizado contra o regime de Jacarta. Mas, desde há seis anos a esta parte, o cenário alterou-se. Com a independência do país de Xanana Gusmão, as tensões foram-se aliviando aos poucos e, hoje, o ex-inimigo até pode vir a tornar-se o melhor aliado da sua carteira. 
Em declarações reproduzidas pela Bloomberg, o presidente da Bolsa de Valores da Indonésia, Erry Firmansyah, afirma que o índice de referência do país asiático poderá subir 15 por cento em 2008. Nem o recuo de 11 por cento que a praça indonésia leva por esta altura serve para refrear-lhe os ânimos. “O dinheiro com que o Governo estava a subsidiar os combustíveis poderá passar a ser aplicado no desenvolvimento de infraestruturas”, refere Firmansyah. De facto, o anúncio governamental que coloca um ponto final nos subsídios estatais concedidos para contrabalançar o aumento dos preços do petróleo está a gerar grande entusiasmo entre os investidores que seguem a praça de Jacarta. É que as rupias poderão agora ser canalizadas para projectos de desenvolvimento com a finalidade de dar um novo impulso ao crescimento económico da Indonésia. As cotadas do quarto país mais populoso do mundo agradecem e prometem retribuir a afectuosidade. Mas não entre em euforia. Se acredita no potencial do país composto por 17 500 ilhas, reserve no máximo 10 por cento do seu portefólio para este investimento. A demasiada especificidade do fundo pode sair-lhe cara em períodos menos bons da economia transcontinental que se reparte entre o continente asiático e a Oceania.
Para não deixar escapar este comboio de crescimento, terá que obrigatoriamente seguir na carruagem dos fundos de investimento. É o caso do Fidelity Indonesia, que apesar de não ter resistido ao tsunami do subprime que varreu as acções um pouco por todo o mundo no Verão de 2007, recuou apenas 1,19 por cento nos últimos 12 meses. Uma solução mais diversificada poderá ser feita através do Fidelity ASEAN, que além de dedicar 14 por cento do seu portefólio a acções da Indonésia, ainda procura boas oportunidades de investimento na Malásia, Singapura e Tailândia. Ambos os fundos se encontram à venda no ActivoBank7 e no Banco Best. Diogo Nunes

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