Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

4 perguntas que deve fazer quando investe

Imagine que decidiu que está na hora de confiar na sua intuição e utilizar a liquidez que tem andado a poupar para entrar na roda-viva dos mercados financeiros. Seja através de acções, fundos de investimentos, fundos cotados, planos poupança-reforma ou os demais produtos que o seu gestor de conta lhe aconselha há algumas perguntas que deve anotar para não se esquecer de fazer a si próprio e aos responsáveis pelos produtos financeiros que são candidatos à sua carteira.
 
1. Qual a rendibilidade histórica e em vários prazos temporais?
O seu gestor de conta telefona-lhe a dizer que tem um fundo de investimento maravilhoso que no último ano atingiu uma rendibilidade de 20 por cento. Fantástico, pensará você já a fazer contas na sua multiplicadora mental. Contudo, com um valor de dois dígitos no curto prazo ficará a saber muito pouco sobre a gestão histórica do fundo, senão repare nos exemplos de 2 fundos de acções norte-americanas no final do ano passado. O fundo American Express Focused US Growth Equities foi em 2007 o terceiro melhor fundo da sua classe com um retorno de 10,24 por cento enquanto que o DB Platinum IV US Growth R2C perdeu 1,45 por cento e ficou relegado para uma posição mediana entre os mais de 100 fundos desta classe. Se não ligasse à rendibilidade histórica poder-lhe-ia escapar um factor determinante para a sua decisão de investimento no mercado norte-americano, o facto de em 5 anos o fundo da American Express ter uma rendibilidade anual de 3,17 por cento, muito abaixo da rendibilidade de 8 por cento do fundo gerido pelo Deustche Bank de menor risco.

2. Como é que o investimento se comporta face a produtos alternativos?
Não é por tropeçar num produto que ele passa a ser a melhor coisa do mundo. Para perceber se vai tirar o melhor proveito do seu dinheiro tem de comparar diferentes investimentos alternativos. Por exemplo, a rendibilidade do fundo que faz parte dos seus planos com o desempenho da restante classe a que pertence e com os índices que representam a região e o sector onde se insere, ou as suas aplicações num fundo de tesouraria com uma opção sem risco como depósitos a prazo ou certificados de aforro. Para quem pensa na reforma, se lhe oferecem um plano poupança-reforma tem de fazer algumas contas para perceber se a carga fiscal e as deduções no IRS compensam um compromisso até a idade de reforma com uma forte penalização de resgate em vez de um fundo de acções que, apesar de não lhe baixar os impostos sobre o rendimento, lhe pode oferecer um melhor desempenho. A título de exemplo, o PPR que deu mais retorno em 2007, o BPI Reforma Acções (8,82 por cento) ficou aquém de todos os 7 fundos de acções nacionais.

3. Quais são os custos associados no investimento financeiro?
O marketing e a comunicação dos intermediários financeiros sabem que a sua emoção pode levá-lo a deixar de lado uma reflexão mais pausada. Números grandes e frases apelativas que realcem a segurança e a multiplicação para o seu dinheiro estão um pouco por todo o lado, mas convém esclarecer o que vai ter de descontar aos lucros do seu investimento. Para começar, há produtos que têm custos de subscrição, outros têm associados custos de gestão e muitos ainda cobram no momento de resgate do dinheiro investido. Todos juntos podem levar a rendibilidade a níveis que não conseguem sequer cobrir a inflação. Na revista Carteira de Junho de 2008, o leitor pode perceber que uma simulação do seguro de capitalização como o Poupança Dinâmica Global, que aponta para uma rendibilidade mínima garantida de 4,25 por cento em 20 anos, acaba por não dar ao contraente mais de 2,58 por cento por ano devido aos 3 por cento de comissão de gestão. E não vai querer ouvir falar de inflação, pois não.
Se é mais afoito e acredita que momentos de queda são bons para comprar acções, então conte com as comissões de bolsa, de guarda de títulos e sobre distribuição de dividendos que as corretoras e os bancos cobram. Investir pouco dinheiro pode dar apenas para pagar ao intermediário.

4. Quanto vou pagar de impostos?
Se estes são os custos associados a quem lhe forneceu o investimento, o Estado terá ainda uma palavra a dizer nos seus lucros. Os fundos de investimento estrangeiros são tributados em 20 por cento no momento de resgate. Os fundos cotados, os famosos ETF, são alvo de uma taxa de 10 por cento e a venda de acções só paga impostos, 10 por cento, se for realizada menos de um ano depois de as comprar. Nas acções pagará ainda 20 por cento sobre os dividendos recebidos e a diferença entre os corretores pode ser gritante. No Millennium bcp, um utilizador da plataforma de bolsa paga 7 euros de custódia de títulos e 2,5 por cento do que recebe de dividendos ao passo que na plataforma Best Trading Pro essas comissões são nulas.
Faça bem as contas ao investimento que quer fazer e acrescente os custos à equação de investimento.  Nuno Alexandre Silva
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Barragens de oportunidades

Siga o dinheiro públicoA folga conseguida pelo actual governo devido à diminuição do défice orçamental para 2,6 por cento já se nota nas páginas dos jornais. Depois de alguns anos em contracção, o investimento público vai aumentar nos próximos anos e estimular alguns sectores da economia nacional. O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico é um exemplo. Até 2015, o governo pretende investir entre 1,15 e 1,56 mil milhões de euros na construção e adjudicação de 10 novas barragens de forma a aumentar o potencial hídrico do país.
Esta nova onda de investimento público aumenta o potencial de algumas empresas cotadas na bolsa nacional. A EDP – Energias de Portugal é uma delas. Aliás, até agora, a eléctrica nacional é a única concorrente aos 4 concursos já lançados pelo governo. No entanto, segundo o ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, o governo vai lançar mais 5 concursos até ao final de Abril.
A EDP e a REN – Redes Energéticas Nacionais serão 2 das empresas beneficiadas pelo plano de investimentos do governo, a primeira a produzir e a segunda a distribuir a energia gerada. No entanto, alguém tem de construir os diques. Parte do dinheiro investido pelo governo irá parar à gaveta de empresas do sector da construção. Mota-Engil, Teixeira Duarte e Soares da Costa serão das mais beneficiadas pelo aumento do investimento público programado até meados da próxima década que, segundo o programa do governo, deverá ascender a 16 mil milhões até 2009 e a 25 mil milhões até 2018. Não admira que Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas diga que “2007 poderá vir a ser recordado como o ano em que se encerrou mais um longo ciclo de crise no sector da construção”.
Ou seja, há que pôr mãos-à-obra. Ou melhor, mãos à bolsa. Joaquim Madrinha

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